Warning: Undefined array key "extension" in /var/www/html/wp-content/themes/wpufpr_zurb6_tema2/functions.php on line 325

Warning: Undefined array key "extension" in /var/www/html/wp-content/themes/wpufpr_zurb6_tema2/functions.php on line 325

Warning: Cannot modify header information - headers already sent by (output started at /var/www/html/wp-content/themes/wpufpr_zurb6_tema2/functions.php:325) in /var/www/html/wp-includes/rest-api/class-wp-rest-server.php on line 1902

Warning: Cannot modify header information - headers already sent by (output started at /var/www/html/wp-content/themes/wpufpr_zurb6_tema2/functions.php:325) in /var/www/html/wp-includes/rest-api/class-wp-rest-server.php on line 1902

Warning: Cannot modify header information - headers already sent by (output started at /var/www/html/wp-content/themes/wpufpr_zurb6_tema2/functions.php:325) in /var/www/html/wp-includes/rest-api/class-wp-rest-server.php on line 1902

Warning: Cannot modify header information - headers already sent by (output started at /var/www/html/wp-content/themes/wpufpr_zurb6_tema2/functions.php:325) in /var/www/html/wp-includes/rest-api/class-wp-rest-server.php on line 1902

Warning: Cannot modify header information - headers already sent by (output started at /var/www/html/wp-content/themes/wpufpr_zurb6_tema2/functions.php:325) in /var/www/html/wp-includes/rest-api/class-wp-rest-server.php on line 1902

Warning: Cannot modify header information - headers already sent by (output started at /var/www/html/wp-content/themes/wpufpr_zurb6_tema2/functions.php:325) in /var/www/html/wp-includes/rest-api/class-wp-rest-server.php on line 1902

Warning: Cannot modify header information - headers already sent by (output started at /var/www/html/wp-content/themes/wpufpr_zurb6_tema2/functions.php:325) in /var/www/html/wp-includes/rest-api/class-wp-rest-server.php on line 1902

Warning: Cannot modify header information - headers already sent by (output started at /var/www/html/wp-content/themes/wpufpr_zurb6_tema2/functions.php:325) in /var/www/html/wp-includes/rest-api/class-wp-rest-server.php on line 1902
{"id":2723,"date":"2021-06-11T12:07:44","date_gmt":"2021-06-11T15:07:44","guid":{"rendered":"https:\/\/sala28.ufpr.br\/?page_id=2723"},"modified":"2021-11-19T23:24:11","modified_gmt":"2021-11-20T02:24:11","slug":"nos-por-nos","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/sala28.ufpr.br\/?page_id=2723","title":{"rendered":"N\u00f3s por n\u00f3s"},"content":{"rendered":"\n

<\/p>\n\n\n\n

Relatos dos alunos e alunas que participam e participaram do Projeto Hospitalidade.<\/strong><\/p>\n\n\n\n

Relato da extensionista Juliana Scaciota<\/strong><\/p>\n\n\n\n

No in\u00edcio, quando entrei para fazer parte do Projeto Hospitalidades n\u00e3o tinha muita no\u00e7\u00e3o do que far\u00edamos para definitivamente ajudarmos os migrantes em seu dia a dia.<\/p>\n\n\n\n

            Muitas vezes saio frustrada do Projeto, achando que podia fazer muito mais. Mas em muitos momentos, somente a nossa presen\u00e7a aqui j\u00e1 \u00e9 de uma ajuda grande para os que comparecem na sala 28. Em alguns momentos tudo que um migrante precisa \u00e9 um local seguro para desabafar, colocando em evid\u00eancia suas angustias, suas magoas, os sonhos que deixou para tr\u00e1s e que hoje, em muitos momentos, n\u00e3o podem ser retomados. O que fazemos \u00e9 nada mais que tentar retomar esses sonhos, encaminhar aqueles que comparecem ao Projeto para novos objetivos, atender algumas das suas expectativas, mas nem sempre isso \u00e9 o suficiente.<\/p>\n\n\n\n

            Durante este um ano e meio que participo do Projeto v\u00e1rios migrantes compareceram e foram importantes para que eu realmente me importasse com as suas quest\u00f5es e quisesse realizar algo para modificar esta triste realidade. Por\u00e9m, a hist\u00f3ria que mais me marcou at\u00e9 o momento foi a de uma venezuelana que compareceu ano passado para realizar a sua inscri\u00e7\u00e3o no processo de revalida\u00e7\u00e3o. A princ\u00edpio o seu caso era algo simples. Ela era formada em Direito, tudo o que queria era praticar a advocacia no Brasil. Quando ela me falou isto, a dificuldade come\u00e7ou a crescer, afinal, ela n\u00e3o teria que apenas revalidar o seu diploma, ela deveria prestar a prova da Ordem dos Advogados do Brasil para ent\u00e3o exercer a sua t\u00e3o desejada profiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n

            Lembro at\u00e9 hoje que quando contamos sobre a nova dificuldade, ela virou para n\u00f3s e respondeu que mesmo que tivesse que realizar 30 provas ela n\u00e3o desistiria do sonho de ser uma advogada, que quando ela saiu da Venezuela era para buscar algo al\u00e9m de uma vida segura, era para conseguir conquistar seus sonhos e que n\u00e3o seriam algumas provas que a separariam de atingir este objetivo.<\/p>\n\n\n\n

            Durante todo o processo de revalida\u00e7\u00e3o do ano passado essa mulher compareceu todas as segundas-feiras para n\u00e3o perder nenhuma altera\u00e7\u00e3o, sempre perguntando sobre novidades, mesmo que explic\u00e1ssemos que ela poderia ter todas as informa\u00e7\u00f5es pelo site do N\u00facleo de Concursos da UFPR.<\/p>\n\n\n\n

            No final, ela n\u00e3o conseguiu a sua revalida\u00e7\u00e3o em 2016, ela nos contou que a prova estava extremamente dif\u00edcil, mas que no ano seguinte ela tentaria novamente. E foi exatamente isto que aconteceu, este ano ela se inscreveu novamente. Espero que ela passe e consiga estar um passo mais perto de realizar o seu sonho.<\/p>\n\n\n\n

Relato da extensionista Anna Luiza<\/strong><\/p>\n\n\n\n

Durante esses primeiros seis meses participando do projeto, pude realizar diversos atendimentos a migrantes refugiados e com visto humanit\u00e1rio. Um dos casos mais marcantes para mim foi o de uma cubana que chegou ao Brasil h\u00e1 pouco tempo, sem sua fam\u00edlia. Ela obteve diploma de gradua\u00e7\u00e3o em seu pa\u00eds de origem, mas, como existe a necessidade de revalida\u00e7\u00e3o do diploma para que ela possa exercer sua \u00e1rea de especializa\u00e7\u00e3o, ela estava trabalhando como vendedora em uma loja e recebendo uma quantia \u00ednfima, que bastava apenas para atender suas necessidades b\u00e1sicas.  Diante de seus relatos, percebemos que ela estava enfrentando momentos dif\u00edceis decorrentes da sua vinda para nosso pa\u00eds, mas ainda assim, quando perguntamos se ela sentia saudades de seu pa\u00eds natal, ela disse que n\u00e3o, e que, apesar das dificuldades, preferia estar aqui, pois se sentia melhor e mais segura. Ap\u00f3s ouvir sobre sua hist\u00f3ria e o que ela estava enfrentando por aqui, eu e outra participante do projeto fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para ajud\u00e1-la. Em primeiro lugar, repassamos para ela as informa\u00e7\u00f5es sobre o processo de revalida\u00e7\u00e3o e explicamos como o procedimento se dava \u2013 essas informa\u00e7\u00f5es sab\u00edamos de anteced\u00eancia, pois a professora Tatyana tinha nos ensinado sobre o assunto e sobre o procedimento. Fizemos c\u00f3pia do diploma e do hist\u00f3rico das disciplinas da gradua\u00e7\u00e3o para que pud\u00e9ssemos encontrar o curso brasileiro correspondente ao dela para ter certeza de que ela poderia se inscrever no processo de revalida\u00e7\u00e3o. Quanto \u00e0 quest\u00e3o empregat\u00edcia, apesar de estar um pouco fora do nosso \u00e2mbito de atua\u00e7\u00e3o, organizamos uma lista de escolas de idioma nas quais ela poderia tentar se candidatar para ensinar Espanhol e, tamb\u00e9m, fizemos an\u00fancios sobre aulas particulares de Espanhol e espalhamos pela universidade. Outra coisa que fizemos foi fornecer a ela as informa\u00e7\u00f5es do projeto de aulas de portugu\u00eas, pois, como ela havia chegado h\u00e1 pouco, ainda n\u00e3o falava a l\u00edngua muito bem. N\u00e3o tivemos mais contato com ela e por isso n\u00e3o sabemos se nossa ajuda rendeu frutos nos outros aspectos, apenas vimos uma foto na qual ela estava participando da aula de portugu\u00eas em uma mat\u00e9ria sobre o Programa; apesar de nossa participa\u00e7\u00e3o nessa quest\u00e3o ter sido m\u00ednima, por s\u00f3 termos passado para ela as informa\u00e7\u00f5es do curso de portugu\u00eas, ficamos felizes ao saber que t\u00ednhamos contribu\u00eddo.<\/p>\n\n\n\n

A maioria dos migrantes atendidos por nosso projeto busca pela revalida\u00e7\u00e3o do diploma de gradua\u00e7\u00e3o ou pelo ingresso na universidade (tanto na gradua\u00e7\u00e3o quanto no mestrado). Sempre passamos as informa\u00e7\u00f5es do processo de revalida\u00e7\u00e3o, explicando detalhadamente como funciona. Quanto ao ingresso na universidade, geralmente, elaboramos um e-mail explicativo sobre como se d\u00e1 o processo de sele\u00e7\u00e3o. Em ambos os casos, sempre nos dispomos a mandar um e-mail ou ligar quando o processo for iniciado para que o migrante possa conseguir se inscrever. Al\u00e9m disso, desenvolvemos o trabalho de consulta no CONARE sobre a situa\u00e7\u00e3o do pedido de visto de dos migrantes que solicitam por isso e informamos a eles sobre como est\u00e1 o andamento do processo. Quando se inicia o per\u00edodo de revalida\u00e7\u00e3o do diploma, al\u00e9m de comunicar os interessados, recolhemos as informa\u00e7\u00f5es e documentos dos candidatos e sempre mandamos e-mails informativos sobre as pr\u00f3ximas etapas do processo.  Muitas vezes os pedidos est\u00e3o fora da \u00e1rea de nosso conhecimento ou de nossa possibilidade de aux\u00edlio, como, por exemplo, um migrante que reside h\u00e1 anos no Brasil estudando e queria conseguir a nacionalidade, nesses casos, fazemos pesquisas sobre o tema para que possamos explicar melhor para o migrante e\/ou tentamos descobrir quem pode efetivamente resolver a situa\u00e7\u00e3o. Apesar de \u00e0s vezes a solu\u00e7\u00e3o parecer simples, como informar sobre como funciona o processo, para os migrantes, que tiveram sua vida radicalmente alterada e se encontram em um pa\u00eds cuja l\u00edngua e costumes s\u00e3o diferentes \u2013 e, muitas vezes, n\u00e3o tendo ningu\u00e9m conhecido por perto \u2013 \u00e9 f\u00e1cil perceber a relev\u00e2ncia que nossa ajuda tem em suas vidas. Poder ajudar essas pessoas que est\u00e3o passando por uma s\u00e9rie de dificuldades e que n\u00e3o t\u00eam com quem contar, \u00e9 extremamente gratificante e \u00e9 o que torna o Programa t\u00e3o especial.<\/p>\n\n\n\n

Os professores coordenadores do projeto sempre nos mant\u00e9m atualizados sobre os procedimentos que devemos seguir. O que eles nos ensinam \u00e9 aplic\u00e1vel para a maioria dos casos. Quando nos deparamos com situa\u00e7\u00f5es que fogem do que aprendemos, tentamos contat\u00e1-los para saber o que fazer, ou, em casos mais simples, pesquisamos e tentamos descobrir por n\u00f3s mesmos as informa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n

Minha experi\u00eancia pessoal com o projeto, muito mais do que me render conhecimentos extras na minha \u00e1rea de gradua\u00e7\u00e3o, me fez perceber o quanto a situa\u00e7\u00e3o dessas pessoas que saem de seus pa\u00edses para poderem ir em busca de uma vida melhor \u00e9 complexa e o quanto eles merecem nossa aten\u00e7\u00e3o e aux\u00edlio. Num pa\u00eds como Brasil, cuja popula\u00e7\u00e3o \u00e9 uma mistura de descendentes de nacionalidades diversas, a quest\u00e3o migrat\u00f3ria deveria ser tratada com maior import\u00e2ncia e \u00e9 isso que o projeto tenta fazer. Me sinto feliz em ter a oportunidade de ajudar essas pessoas.<\/p>\n\n\n\n

Relat\u00f3rio do extensionista Gabriel Curi<\/strong><\/p>\n\n\n\n

1. Breve Descri\u00e7\u00e3o do Atendimento<\/p>\n\n\n\n

            O atendimento realizado visa atender as necessidades mais b\u00e1sicas dos migrantes e refugiados que chegam ao Brasil, que por muitas vezes n\u00e3o falam portugu\u00eas e n\u00e3o sabem os primeiros passos a serem seguidos quando chegam ao pa\u00eds. A barreira da l\u00edngua \u00e9 de dif\u00edcil transposi\u00e7\u00e3o, de modo que o trabalho realizado pelos volunt\u00e1rios do curso de letras, que ensinam portugu\u00eas aos migrantes, \u00e9 fundamental, j\u00e1 que a comunica\u00e7\u00e3o efetiva \u00e9 pressuposto basilar para que o migrante possa, a despeito de todas as demais dificuldades, se estabilizar. As demandas transitam por entre v\u00e1rios n\u00edveis de necessidades, desde as mais b\u00e1sicas, como orienta\u00e7\u00e3o de onde podem conseguir abrigo para passar a noite, at\u00e9 as mais refinadas, como ingresso em programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e naturaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n

2. Principais Problemas<\/p>\n\n\n\n

            Os problemas giram em torno principalmente da falta de documentos que permeia a realidade dos migrantes, em especial dos refugiados, o que d\u00e1 azo \u00e0 resist\u00eancia ainda institucional que pretende impedir que o estrangeiro se valha de seus direitos constitucionalmente garantidos. Resist\u00eancia esta que tamb\u00e9m se configura como um problema a ser enfrentado, j\u00e1 que o atendimento no projeto depende de pol\u00edticas oferecidas por terceiros \u2013 por vezes n\u00e3o muito dispostos a ajudar \u2013 o que impede a efetiva solu\u00e7\u00e3o das demandas apresentadas.<\/p>\n\n\n\n

3. Caminho da Solu\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n

            A solu\u00e7\u00e3o das situa\u00e7\u00f5es enfrentadas no dia a dia do projeto depende em grande parte da mudan\u00e7a da mentalidade que permeia a sociedade em geral em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 onda de migra\u00e7\u00f5es e ref\u00fagio que atualmente se configura. O elemento estranho ainda assusta as pessoas e gera uma xenofobia intrincada em meio ao imagin\u00e1rio social, o que dificulta a efetiva tutela dos problemas enfrentados pelas pessoas atendidas pelo projeto. A extin\u00e7\u00e3o dessa mentalidade protecionista, que v\u00ea o migrante como um perigo em potencial, \u00e9 requisito b\u00e1sico para que as pessoas que saem de seus pa\u00edses \u2013 muitas vezes sem ser essa sua vontade \u2013 e chegam a outro sejam recepcionadas e tenham seus direitos preservados como qualquer outra pessoa que goze do status de nacional daquele pa\u00eds, j\u00e1 que \u00e9 extremamente descabido que algu\u00e9m n\u00e3o seja digno de direitos basilares pura e simplesmente porque n\u00e3o tenha um v\u00ednculo de nacionalidade com o pa\u00eds no qual reside, ou passou a residir. <\/p>\n\n\n\n

4. Encaminhamento<\/p>\n\n\n\n

            O encaminhamento sempre \u00e9 feito visando a resolu\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida e efetiva dos problemas trazidos pelos migrantes ou refugiados. Seja orientando em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s aulas de portugu\u00eas oferecidas, seja tramitando a burocracia necess\u00e1ria ao ingresso na Universidade, seja encaminhando \u00e0 autoridade competente, como nos casos de naturaliza\u00e7\u00e3o, o atendimento no projeto busca auxiliar os migrantes e refugiados a superarem as barreiras encontradas e que os separam da efetiva tutela de seus direitos, a fim de que a experi\u00eancia da migra\u00e7\u00e3o ou do ref\u00fagio \u2013 e principalmente a do ref\u00fagio \u2013 que j\u00e1 \u00e9 traum\u00e1tica por si s\u00f3, possa ser, ainda que pouco, atenuada e simplificada.<\/p>\n\n\n\n

5. E Voc\u00ea?<\/p>\n\n\n\n

            A experi\u00eancia no projeto abre um universo de novas realidades que, mesmo muito pr\u00f3ximas de n\u00f3s, ainda est\u00e3o escondidas \u00e0s margens do quotidiano e passam despercebidas em meio \u00e0 vis\u00e3o ainda xen\u00f3foba e protecionista que se luta para modificar. Os relatos somam um imenso arcabou\u00e7o de vidas paralelas e que enfrentam problemas t\u00e3o singulares, e poder ajudar essas pessoas a alcan\u00e7ar direitos que lhe s\u00e3o tolhidos por puro preconceito e apatia \u00e9 realmente uma experi\u00eancia \u00edmpar e que deve ser incentivada, a fim de que se atenue a dor de fugir de seu pa\u00eds de origem, ao menos oferecendo um lugar seguro para se refugiar.<\/p>\n\n\n\n

Relato da extensionista Silvana Hoshino<\/strong><\/p>\n\n\n\n

A parte mais interessante do projeto \u00e9 o contato com as pessoas que sentam \u00e0 nossa frente, pensar que elas trazem consigo uma bagagem cultural que muitas vezes difere em muito da nossa. Infelizmente, o meu hor\u00e1rio de atendimento n\u00e3o \u00e9 muito movimentado, por ser ter\u00e7a-feira \u00e0 noite. Ainda assim, pude sentir um pouco dessa experi\u00eancia. Tive que praticar o meu ingl\u00eas (ligeiramente enferrujado) quando um nigeriano chegou na sala, falou com muita dificuldade algumas palavras em portugu\u00eas (ele n\u00e3o estava no Brasil h\u00e1 muito tempo) e recorreu ao “Do you speak English?”.<\/p>\n\n\n\n

            Em linhas gerais, o atendimento ocorre da seguinte maneira: ficamos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para atender as demandas que s\u00e3o trazidas pelos imigrantes. Normalmente s\u00e3o pedidos simples, como acompanhamento da inscri\u00e7\u00e3o no processo de revalida\u00e7\u00e3o do diploma.<\/p>\n\n\n\n

            Uma das maiores dificuldades que encontramos \u00e9 saber como exatamente ajudar. Como as pessoas que est\u00e3o comigo no mesmo hor\u00e1rio s\u00e3o novatas no projeto, n\u00e3o temos o total conhecimento de como funciona o processo de imigra\u00e7\u00e3o e todas as suas burocracias. Assim, frequentemente recorremos \u00e0 pesquisa online, o que possibilita a familiariza\u00e7\u00e3o com editais e sites de compet\u00eancia oficial.  Al\u00e9m disso, como j\u00e1 comentei acima, temos a barreira da l\u00edngua e as dificuldades de entendimento, o que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grave, pois \u00e0 medida que conversamos, podemos esclarecer o desejo.<\/p>\n\n\n\n

            Na maioria dos casos que tivemos, foi necess\u00e1rio apenas encaminhar a pessoa para o \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel ou buscar informa\u00e7\u00f5es nos editais, como no processo de revalida\u00e7\u00e3o dos diplomas na Universidade Federal do Paran\u00e1. Quando em d\u00favida, recorremos \u00e0 professora Tatyana, que indicou os procedimentos a serem seguidos.<\/p>\n\n\n\n

            Quanto ao que o projeto significou para mim, j\u00e1 relatei nos primeiros par\u00e1grafos desse texto. O contato com diferentes sotaques, nacionalidades e hist\u00f3rias \u00e9 realmente impactante. Um dos melhores momentos desse semestre foi uma roda de conversa promovida durante a Semana do Imigrante. Nesse evento tive a m\u00e1xima compreens\u00e3o do que tudo isso significa. Um dos imigrantes relatou a sua experi\u00eancia, como ele teve que abandonar n\u00e3o apenas fam\u00edlia e amigos, mas oportunidades e sonhos em seu pa\u00eds. Creio que senti o que chamam de empatia<\/em> ao imaginar como seria passar pelo mesmo.  <\/p>\n\n\n\n

Relato da extensionista Aline Bispo<\/strong><\/p>\n\n\n\n

O atendimento aos migrantes e refugiados \u00e9 feito em grupo mediante a orienta\u00e7\u00e3o da professora Tatyana, que nos organiza de acordo com as disponibilidades inerentes a cada aluno em tarefas espec\u00edficas. Tal organiza\u00e7\u00e3o tem por finalidade maximizar a utiliza\u00e7\u00e3o do tempo e do espa\u00e7o para resultar em uma excelente recep\u00e7\u00e3o aos interessados, bem como, por outro lado, atingir o pico da produtividade na realiza\u00e7\u00e3o das pesquisas de resolu\u00e7\u00e3o de quest\u00f5es pr\u00e1ticas\/ materiais nas \u00e1reas de Direitos humanos, ref\u00fagio, migra\u00e7\u00e3o e apatridia no Brasil.<\/p>\n\n\n\n

          A principal problem\u00e1tica enfrentada pelo projeto \u00e9 n\u00e3o dispor de parcerias por exemplo de \u00f3rg\u00e3os, empresas, ONGs para prestar aux\u00edlio aos refugiados e migrantes que est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de marginaliza\u00e7\u00e3o e, por isso, n\u00e3o conseguem trabalho e moradia digna para si e\/ou seus familiares. O ponto chave da quest\u00e3o \u00e9: a necessidade de negocia\u00e7\u00e3o em busca de parcerias. Entretanto, a ingenuidade e, talvez, a ignor\u00e2ncia fazem parecer simples a solu\u00e7\u00e3o, quando na verdade \u00e9 um problema cr\u00f4nico no pa\u00eds. O senso comum do brasileiro acolhe os migrantes e refugiados, mas quando estes necessitam e procuram a estabilidade, passam a serem vistos como invasores e concorrentes quando os assuntos circundam o emprego e o direito \u00e0 cidadania, algo que, sem d\u00favida, incomoda os naturais. Entende-se, com isso, que as poss\u00edveis parcerias podem gerar transtornos as pessoas jur\u00eddicas, dificultando muito a rela\u00e7\u00e3o do projeto com as mesmas.<\/p>\n\n\n\n

            Conhecedora dos motivos pol\u00edticos e ideol\u00f3gicos que trouxeram essas pessoas a buscarem uma nova morada e perspectiva de vida no nosso pa\u00eds, reconhe\u00e7o que me sinto frustrada, pois o projeto anseia por melhor acolhe-los, assim como contribuir a poss\u00edvel quebra desse pensamento retrogrado com a utiliza\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es de qualidade atrav\u00e9s de m\u00eddias alternativas, mas n\u00e3o podemos fazer isto sozinhos. N\u00f3s precisamos de ajuda financeira, ideol\u00f3gica e humanit\u00e1ria, ou seja, uma verdadeira corrente capaz de ampliar essa vis\u00e3o a contribuir para uma Curitiba melhor e, quem sabe, um Brasil melhor. <\/p>\n\n\n\n

Relato da extensionista Juliana Carniel<\/strong><\/p>\n\n\n\n

Breve descri\u00e7\u00e3o do atendimento<\/p>\n\n\n\n

Escolhi falar de dois atendimentos, n\u00e3o pela sua complexidade, mas sim pela import\u00e2ncia que tiveram para mim. O primeiro deles foi o caso da inscri\u00e7\u00e3o de uma migrante na revalida\u00e7\u00e3o de diplomas. Ela \u00e9 venezuelana, formada em direito e j\u00e1 tinha tentado no ano anterior, por isso seus documentos j\u00e1 estavam no sistema ent\u00e3o era s\u00f3 fazer a inscri\u00e7\u00e3o no site. O segundo foi o de uma senhora s\u00edria que j\u00e1 tinha feito a inscri\u00e7\u00e3o na revalida\u00e7\u00e3o e tinha algumas d\u00favidas sobre as provas que seriam aplicadas durante o processo. O caso dela \u00e9 bem conhecido no projeto, tanto pela hist\u00f3ria de vida dela quanto pelas dificuldades burocr\u00e1ticas, j\u00e1 que ela \u00e9 formada em Ginecologia e Obstetr\u00edcia e tem muitos anos de experi\u00eancia profissional e na UFPR n\u00e3o se tem um curso espec\u00edfico que seja compat\u00edvel com o dela, sendo os mais pr\u00f3ximos medicina e enfermagem, este \u00faltimo sendo aquele no qual ela est\u00e1 inscrita no processo de revalida\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n

Principais problemas<\/p>\n\n\n\n

No caso dela, a quest\u00e3o era apenas fazer a inscri\u00e7\u00e3o, mas ela ainda n\u00e3o tinha curr\u00edculo, ent\u00e3o tivemos que fazer um na hora. No caso da segunda migrante, ela queria saber quais conte\u00fados de enfermagem  iriam ser cobrados na prova da revalida\u00e7\u00e3o, expressando sua preocupa\u00e7\u00e3o j\u00e1 que ela ainda tem certa dificuldade com o portugu\u00eas e faltava menos de um m\u00eas para a prova. Ela ressaltou que era muito pouco tempo para se preparar para a prova, pois ela teria que revisar  alguns pontos que s\u00e3o espec\u00edficos do curso de enfermagem.<\/p>\n\n\n\n

Caminho da solu\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n

No caso da migrante venezuelana, n\u00f3s apenas encontramos um modelo de curr\u00edculo e deixamos que ela mesma fizesse, para que ficasse mais \u201ccom a cara dela\u201d e n\u00e3o simplesmente um modelo padr\u00e3o. Nesse ponto n\u00f3s apenas ajudamos com algumas quest\u00f5es ortogr\u00e1ficas. Ap\u00f3s isso foi feita a inscri\u00e7\u00e3o e repassadas as informa\u00e7\u00f5es acerca das etapas seguintes do processo.  No caso da migrante, n\u00f3s procuramos as informa\u00e7\u00f5es no edital de revalida\u00e7\u00e3o e no site do N\u00facleo de Concursos. A divulga\u00e7\u00e3o do conte\u00fado program\u00e1tico iria ocorrer dali a dois dias, ent\u00e3o nossa resposta foi para aguardar a divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n

Encaminhamento<\/p>\n\n\n\n

Nos dois casos foram  impressas as principais datas do processo de revalida\u00e7\u00e3o, inclusive as de divulga\u00e7\u00e3o dos editais com o conte\u00fado program\u00e1tico das provas, juntamente com o site do N\u00facleo de Concursos. Se tivessem mais alguma d\u00favida poderiam voltar ao projeto.<\/p>\n\n\n\n

E voc\u00ea?<\/p>\n\n\n\n

V\u00e1rias pessoas j\u00e1 tinham atendido a migrante s\u00edria anteriormente, e pra mim foi emocionante conhec\u00ea-la e tentar ajudar no que fosse poss\u00edvel, pois j\u00e1 tinha ouvido falar da hist\u00f3ria dela e das dificuldades enfrentadas por ela, com grande for\u00e7a de vontade. O caso da Venezuela me levou a refletir que nem sempre n\u00f3s precisamos fazer \u2018tudo\u2019 por eles, j\u00e1 que a pr\u00f3pria busca pela autossufici\u00eancia faz parte do processo de adapta\u00e7\u00e3o a um novo pa\u00eds, mas sim ajudar com as coisas em que eles realmente n\u00e3o t\u00eam ideia de como fazer, funcionando at\u00e9 mesmo uma forma de empoderamento e independ\u00eancia pessoal. Algo que me deixou muito feliz foi que encontrei a migrante da Venezuela em um dos eventos do m\u00eas do migrante e ela me reconheceu e agradeceu por ter ajudado ela com a inscri\u00e7\u00e3o. Eu sei que o que eu fiz por ela foi algo muito simples, mas o reconhecimento dela me deu mais vontade para continuar. Outra reflex\u00e3o que tirei dos dois atendimentos foi que, em ambos, contei com o apoio dos colegas que tamb\u00e9m participam do projeto, seja no mesmo hor\u00e1rio que eu ou dos outros dias, porque os atendimentos sempre foram continuados, proporcionando o envolvimento de todos.<\/p>\n\n\n\n

Relato da extensionista Jackeline Magalh\u00e3es<\/strong><\/p>\n\n\n\n

Sou extensionista, no Projeto Migra\u00e7\u00e3o, Ref\u00fagio e Hospitalidade, desde maio. Quando ingressei como volunt\u00e1ria no projeto fui muito bem acolhida por todos que j\u00e1 estavam trabalhando na “Sala 28”. Rapidamente, e com muita aten\u00e7\u00e3o, me ensinaram o passo-a-passo do atendimento dos migrantes, refugiados e acolhidos com visto humanit\u00e1rio. Na primeira fase do atendimento, \u00e9 realizado o cadastro dos que nos procuram conforme sua nacionalidade, essa etapa \u00e9 realizada durante o primeiro atendimento, e visa facilitar atendimentos futuros, al\u00e9m disso, durante esse processo, conhecemos um pouco mais daqueles que atendemos, e tamb\u00e9m esclarecemos algumas d\u00favidas. Realizado o cadastro, o atendimento se volta para os problemas, que s\u00e3o de diversos tipos.<\/p>\n\n\n\n

Os pedidos mais comuns que chegam at\u00e9 n\u00f3s, s\u00e3o de pessoas que iniciaram um curso superior em seu pa\u00eds de origem, e vieram para o Brasil antes da conclus\u00e3o do curso e desejam reingressar na faculdade para terminar o curso. Tamb\u00e9m t\u00eam aqueles que conclu\u00edram um curso superior fora do Brasil e que n\u00e3o podem trabalhar em sua \u00e1rea de especializa\u00e7\u00e3o devido ao n\u00e3o-reconhecimento do diploma. No primeiro caso, n\u00f3s extensionistas, temos que auxili\u00e1-los e inscrev\u00ea-los no processo de reingresso. No segundo caso, eles s\u00e3o auxiliados no pedido de revalida\u00e7\u00e3o de diploma.<\/p>\n\n\n\n

Esses dois casos, reingresso e revalida\u00e7\u00e3o, s\u00e3o delicados de resolver, pois, o sistema de ensino varia em cada pa\u00eds, e com isso n\u00f3s temos que realizar uma an\u00e1lise detalhada da grade de disciplinas do curso realizado fora do Brasil e compar\u00e1-la com o curso pretendido na Universidade de forma que haja equival\u00eancia. Pois uma inscri\u00e7\u00e3o realizada sem essa an\u00e1lise minuciosa pode levar a n\u00e3o-homologa\u00e7\u00e3o do pedido, e consequentemente \u00e0 necessidade de esperar at\u00e9 o ano seguinte, devido ao fato de que s\u00e3o abertos apenas 1 edital por ano para cada um desses processos. No dia 05\/07 tivemos, infelizmente, o caso de um venezuelano que teve o pedido de revalida\u00e7\u00e3o de diploma n\u00e3o-homologado por um erro na escolha do curso equivalente no Brasil. A Professora Tatyana tentou reverter a situa\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o tivemos sucesso no caso dele, que ter\u00e1 que esperar o edital de 2018 ou tentar a revalida\u00e7\u00e3o pelo sistema Carolina Bori, que n\u00e3o \u00e9 exclusivo para migrantes, refugiados e acolhidos com visto humanit\u00e1rio, como \u00e9 o caso desse sistema de revalida\u00e7\u00e3o da UFPR.<\/p>\n\n\n\n

Outra demanda comum que atendemos diz respeito ao aux\u00edlio dos migrantes e refugiados que passaram pelos processos supracitados e que desejam concorrer  \u00e0 bolsas oferecidas pela Pr\u00f3 Reitoria de Assuntos Estudantis da UFPR. Neste caso, os bolsistas e volunt\u00e1rios no projeto auxiliam os estudantes com a documenta\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para que eles consigam e bolsa, e, quando acontece de algum pedido ser indeferido \u00e9 realizada a entrada com recurso.<\/p>\n\n\n\n

Al\u00e9m desses problemas, algumas pessoas nos procuram com pedidos muito espec\u00edficos. Como aconteceu com um migrante, estudante da UFPR, vindo da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo que se casou atrav\u00e9s de procura\u00e7\u00e3o e que desejava trazer sua esposa, ainda residente em seu pa\u00eds de origem, para o Brasil. Neste caso, foi realizado o preenchimento do formul\u00e1rio para solicita\u00e7\u00e3o de visto para Reuni\u00e3o Familiar, que posteriormente foi enviado ao endere\u00e7o de e-mail rfamiliar.conare@mj.gov.br<\/a>, a tradu\u00e7\u00e3o de alguns documentos necess\u00e1rios e a reuni\u00e3o de toda a documenta\u00e7\u00e3o comprobat\u00f3ria de v\u00ednculo familiar e depend\u00eancia econ\u00f4mica relevante para o caso. Durante esse atendimento tivemos in\u00fameras d\u00favidas, pois esse foi o primeiro caso de Reuni\u00e3o Familiar atendido no Projeto.<\/p>\n\n\n\n

Para tentar chegar a uma solu\u00e7\u00e3o n\u00f3s conversamos com a Professora Tatyana Friedrich, que \u00e9 a coordenadora do programa, entramos em contato com a Embaixada do pa\u00eds no Brasil, pesquisamos sobre o assunto no site do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, depois desse processo n\u00f3s conversamos muito e conseguimos juntar toda a documenta\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria ao formul\u00e1rio do pedido em um procedimento que durou mais de um m\u00eas, e que ainda n\u00e3o foi completamente resolvido, pois ainda o pedido ainda n\u00e3o foi aprovado e a esposa desse congol\u00eas ainda n\u00e3o veio para o Brasil.<\/p>\n\n\n\n

Estou no in\u00edcio da minha experi\u00eancia nesse projeto, como disse no in\u00edcio deste relato, me voluntariei em maio e sinto que foi uma das melhores iniciativas que tomei na faculdade. No “Hospitalidade” eu fiz amigos novos, me aproximei mais de colegas de turma que tamb\u00e9m s\u00e3o extensionistas, venci barreiras, como a timidez, aprendi muito sobre a cultura de diversos pa\u00edses conversando com cubanos, venezuelanos, haitianos, s\u00edrios, essa experi\u00eancia eu sinto que n\u00e3o conseguiria em outro lugar. Em um dos meus plant\u00f5es eu ajudei um colega tamb\u00e9m do direito com um documento que ele precisava com urg\u00eancia, n\u00f3s conseguimos o tal documento, e eu recebi um abra\u00e7o t\u00e3o feliz, t\u00e3o sincero, que mudou o meu dia. O que fica s\u00e3o esses sorrisos e abra\u00e7os e agradecimentos, fica tamb\u00e9m a tristeza de ter cometido um erro pequeno e impactante, como o do venezuelano, que contei aqui e de n\u00e3o conseguir um recurso, e fica tamb\u00e9m a esperan\u00e7a, de conseguir fazer cada vez mais por mais pessoas.<\/p>\n\n\n\n

Relato da extensionista Fl\u00e1via Roman<\/strong><\/p>\n\n\n\n

Vivemos atualmente em um contexto de globaliza\u00e7\u00e3o e aproxima\u00e7\u00e3o de fronteiras. Cada vez mais, em meio a um mundo globalizado acentuam-se os fluxos de informa\u00e7\u00f5es e de pessoas e a quest\u00e3o migrat\u00f3ria ganha cada vez mais import\u00e2ncia e est\u00e1 diretamente atrelada a quest\u00e3o dos direitos humanos. O Brasil se insere nesse contexto como potencial receptor de migrantes, que buscam uma melhor qualidade de vida, pelos mais diversos motivos, sejam estes o ref\u00fagio, a acolhida humanit\u00e1ria ou a simples busca por um recome\u00e7o atrav\u00e9s do trabalho ou do estudo.<\/p>\n\n\n\n

No entanto, quando os migrantes chegam ao pa\u00eds, se veem de frente com uma s\u00e9rie de desafios, como o preconceito, a barreira cultural, principalmente da l\u00edngua, a necessidade de documentos, a busca por moradia e por emprego, al\u00e9m dos mais diversos problemas do dia a dia. Desde quest\u00f5es simples \u00e0s mais complexas precisam ser lidadas e os migrantes se deparam com a falta de informa\u00e7\u00e3o e a falta de preparo da sociedade, sobretudo das institui\u00e7\u00f5es do Estado, para lidar com esses problemas.<\/p>\n\n\n\n

 E \u00e9 nesse contexto que se constr\u00f3i o Projeto Hospitalidade, buscando nas mais diversas frentes dar o apoio necess\u00e1rio para a acolhida dos migrantes, que muitas vezes se veem sem sa\u00edda. Os volunt\u00e1rios do Direito lidam dos uma variedade conflitos.. Sejam problemas no trabalho, problemas com documenta\u00e7\u00e3o, a falta de tato das institui\u00e7\u00f5es estatais n\u00e3o preparadas para lidar com a migra\u00e7\u00e3o, ou a busca pelo ingresso na universidade ou a revalida\u00e7\u00e3o de um diploma daqueles que j\u00e1 possuem qualifica\u00e7\u00e3o, dentre outras, as mais diversas quest\u00f5es s\u00e3o trazidas ao projeto na frente do Direito<\/p>\n\n\n\n

No Hospitalidade a quest\u00e3o com que mais se lida \u00e9 a falta de informa\u00e7\u00e3o, seja pela dificuldade de acesso ou simplesmente porque os migrantes n\u00e3o conseguem entender aquilo que lhes \u00e9 passado, e nosso papel \u00e9 encontrar junto deles uma solu\u00e7\u00e3o, o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. Isso porque as quest\u00f5es trazidas s\u00e3o na maioria das vezes indispens\u00e1veis para que o migrante possa simplesmente conduzir sua vida.<\/p>\n\n\n\n

No projeto aprendemos a lidar com as adversidades, a lidar com pessoas dos mais diferentes contextos, a nos comunicar \u2013 em todas as l\u00ednguas poss\u00edveis. Somos facilitadores, professores, ouvintes, conselheiros e muitas vezes a \u00faltima esperan\u00e7a dos migrantes que nos procuram. Ao mesmo tempo nos deparamos com li\u00e7\u00f5es de vida e hist\u00f3rias de supera\u00e7\u00e3o, e a maior gratifica\u00e7\u00e3o \u00e9 enxergar como a solu\u00e7\u00e3o do problema trazido afeta diretamente e de forma positiva a vida de uma pessoa que simplesmente busca uma exist\u00eancia digna.<\/p>\n\n\n\n

Relato da extensionista Carolina Pedroso<\/strong><\/p>\n\n\n\n

O Projeto Hospitalidade, desenvolvido na Universidade Federal do Paran\u00e1, presta atendimento aos migrantes e refugiados que escolheram o Brasil para recome\u00e7ar suas vidas. Ao participar de um programa que tem por objetivo auxiliar pessoas que se encontram nas mais diversas situa\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade, nos deparamos com hist\u00f3rias marcantes que servem de incentivo para continuarmos nessa caminhada.<\/p>\n\n\n\n

Nem sempre \u00e9 f\u00e1cil. \u00c9 preciso lidar com muita burocracia, informa\u00e7\u00f5es desencontradas e, principalmente, falta de empatia pelo pr\u00f3ximo.<\/p>\n\n\n\n

Os atendimentos s\u00e3o sobre os mais diversos casos: pessoas procurando emprego ou um lugar para ficar, pois n\u00e3o tem moradia; outros desejam voltar a estudar, seja cursando o ensino m\u00e9dio, uma faculdade ou apenas precisam revalidar um diploma obtido no exterior (processo longo e dif\u00edcil de ser enfrentado). Mas eu gostaria de falar especificamente sobre os casos que mais me chocam: discrimina\u00e7\u00e3o, racismo e maus tratos sofridos por essas pessoas aqui na cidade de Curitiba, atos que sejam perpetrados pela sociedade de forma geral ou no \u00e2mbito de trabalho, praticados por seus colegas e empregadores.<\/p>\n\n\n\n

\u00c9 inconceb\u00edvel e inadmiss\u00edvel que algu\u00e9m sofra por ser quem \u00e9, pela cor que tem ou pelo idioma que fala. Esses tipos de casos fogem um pouco do nosso \u00e2mbito de resolu\u00e7\u00e3o dentro do Projeto e s\u00e3o encaminhados aos \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis para que sejam tomadas provid\u00eancias legais em determinadas situa\u00e7\u00f5es. Mesmo que o problema n\u00e3o seja resolvido dentro do Projeto, tenho a sensa\u00e7\u00e3o de \u201cdever cumprido\u201d simplesmente por estar ali doando meu tempo e capacidade de ouvir hist\u00f3rias tristes e desabafos inesquec\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n

Acredito que essa seja a maior li\u00e7\u00e3o que o Projeto Hospitalidade me ensina a cada novo atendimento: nem sempre vamos conseguir resolver os problemas do mundo ou muda-lo para melhor, mas podemos sim, com pequenos gestos, fazer a diferen\u00e7a na vida das pessoas e, quem sabe com isso, sermos respons\u00e1veis por grandes mudan\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n

Relato da extensionista Al\u00e9xia Andrade<\/strong><\/p>\n\n\n\n

O n\u00famero de imigrantes tem aumentado no Brasil e a tend\u00eancia \u00e9 de que essa movimenta\u00e7\u00e3o continue. Paralelamente, os pa\u00edses desenvolvidos tamb\u00e9m passam por um per\u00edodo de dificuldade econ\u00f4mica, mas l\u00e1 isso resultou em crescentes restri\u00e7\u00f5es \u00e0 entrada de estrangeiros, colocando o Brasil como uma das rotas na busca por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida. Hoje, h\u00e1 a Lei de Migra\u00e7\u00e3o (PL 2516\/15), em substitui\u00e7\u00e3o ao retrogrado Estatuto do Imigrante, de 1980. Os benef\u00edcios dessa inova\u00e7\u00e3o se situam numa maior prote\u00e7\u00e3o dos direitos humanos, al\u00e9m de promover uma maior dinamicidade e de ser mais moderna, consagrando o Brasil como um centro de acolhida humanit\u00e1ria. Apesar dos avan\u00e7os, atenta-se para a necessidade de outras mudan\u00e7as como, por exemplo, a aus\u00eancia de uma autoridade migrat\u00f3ria civil.<\/p>\n\n\n\n

Diante dos fen\u00f4menos migrat\u00f3rios contempor\u00e2neos, o Brasil se encontra na contram\u00e3o de muitos outros pa\u00edses, primando, na maioria das vezes, por a\u00e7\u00f5es que levam em considera\u00e7\u00e3o o respeito aos direitos humanos e valorizam a no\u00e7\u00e3o de cidadania. De fato, a criminaliza\u00e7\u00e3o da migra\u00e7\u00e3o irregular n\u00e3o se apresenta como um combate \u00e0s causas mas sim aos efeitos da crise de migra\u00e7\u00e3o. O esfor\u00e7o do pa\u00eds deve ser em n\u00e3o marginalizar mais pessoas devido \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o de imigrante irregular. A busca pela regulariza\u00e7\u00e3o migrat\u00f3ria sempre que poss\u00edvel respeita a no\u00e7\u00e3o de migra\u00e7\u00e3o enquanto um direito humano.<\/p>\n\n\n\n

Neste sentido, a atua\u00e7\u00e3o no Projeto Hospitalidades tem me permitido uma vis\u00e3o mais humanit\u00e1ria e concreta da situa\u00e7\u00e3o dos migrantes no pa\u00eds. Os atendimentos, ainda que por vezes sejam obstaculizados pela barreira das diferen\u00e7as entre os idiomas, nos permitem criar v\u00ednculos e acendem uma fagulha em n\u00f3s pelo esfor\u00e7o em cooperar com o problema daquela pessoa. Reflexo do contexto do mundo contempor\u00e2neo, na maioria dos meus atendimentos, encontrei s\u00edrios, venezuelanos e haitianos. Pela necessidade de estabilizarem e reconstru\u00edrem sua vida econ\u00f4mica e social com urg\u00eancia em nosso pa\u00eds, a maior demanda encontrada nos pedidos est\u00e1 relacionada ao processo de revalida\u00e7\u00e3o de diplomas e reingresso. Insta ressaltar que, por vezes, estes pedidos v\u00eam tamb\u00e9m acompanhados de anseios secund\u00e1rios, como necessidade de aprender o portugu\u00eas, de encontrar emprego, e, nas situa\u00e7\u00f5es mais graves, busca por algum abrigo em que possam se hospedar. Nosso trabalho \u00e9 todo em prol da maior emancipa\u00e7\u00e3o poss\u00edvel do migrante em nosso pa\u00eds, para que consiga reconstruir sua vida e construir uma nova realidade social para ele.<\/p>\n\n\n\n

Curial destacar que, devido \u00e0 grande demanda pela revalida\u00e7\u00e3o, a maior problem\u00e1tica not\u00e1vel nos atendimentos decorre desse processo. Neste sentido, ressalta-se que, ainda que haja um procedimento diferenciado para os migrantes com visto humanit\u00e1rio, em sua grande maioria haitianos, e para refugiados, nem sempre esta diferencia\u00e7\u00e3o \u00e9 capaz de superar os problemas causados pela diferen\u00e7a de idiomas, documentos n\u00e3o encontrados ou n\u00e3o compat\u00edveis diretamente com a sistem\u00e1tica da burocratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, al\u00e9m do valor cobrado quando n\u00e3o aprovada a isen\u00e7\u00e3o de taxas devido a insufici\u00eancia de recursos. Diante destas dificuldades, nos vemos imobilizados perante toda uma burocracia e do lapso temporal exigido pelo processo. Neste particular, frisa-se a import\u00e2ncia do preenchimento correto das tabelas de controle e das fichas de informa\u00e7\u00f5es com o m\u00e1ximo de detalhes poss\u00edvel para permitir um rendimento m\u00e1ximo dos atendimentos.<\/p>\n\n\n\n

Por fim, mister sobrelevar o crescimento pessoal que o projeto tem me acrescido enquanto ser humano. A grande li\u00e7\u00e3o que se tira da conviv\u00eancia com essas pessoas e suas dificuldades \u00e9 que, acima de qualquer fronteira e nacionalidade, somos todos humanos, trocando experi\u00eancias e em busca de um mundo melhor.<\/p>\n\n\n\n

Relato do extensionista Douglas Magalh\u00e3es<\/strong><\/p>\n\n\n\n

Desde Abril de 2017 eu fa\u00e7o parte do Projeto Migra\u00e7\u00e3o, Ref\u00fagio e Hospitalidade ou simplesmente Hospitalidades. L\u00e1 n\u00f3s atendemos refugiados e migrantes com visto humanit\u00e1rio que chegam ao Brasil e encontram dificuldades de adapta\u00e7\u00e3o. Nosso trabalho se concentra em quest\u00f5es burocr\u00e1ticas, como a revalida\u00e7\u00e3o de diplomas, o reingresso no ensino superior e o acompanhamento da concess\u00e3o de ref\u00fagio, entre outras coisas.<\/p>\n\n\n\n

            Neste per\u00edodo em que tenho trabalhado no Hospitalidades, estive diante de v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es diferentes, mas sem d\u00favida as que mais me marcaram foram aquelas em que os refugiados buscavam maneiras de reconstruir suas vidas. \u00c9 o caso de pessoas que faziam faculdade nos seus pa\u00edses de origem e que gostariam de seguir estudando, o que podem fazer atrav\u00e9s do reingresso, que \u00e9 um mecanismo na UFPR que d\u00e1 a oportunidade a refugiados que tiveram seus estudos interrompidos pela fuga para que ingressem num curso equivalente na UFPR e d\u00eaem sequ\u00eancia nos estudos. Tamb\u00e9m \u00e9 o caso de pessoas que j\u00e1 s\u00e3o formadas nos seus pa\u00edses de origem e que buscam a revalida\u00e7\u00e3o dos seus diplomas para que possam seguir sua vida acad\u00eamica ou conseguir um emprego.<\/p>\n\n\n\n

            Este tipo de situa\u00e7\u00e3o me marca de maneira especial, porque contrasta com uma realidade que eu vivo. Assim como eu, essas pessoas viviam em torno da Universidade e de seus estudos, sua vida e seu futuro dependiam diretamente da sua forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica. E de repente tudo isso se perdeu, pois essas pessoas s\u00e3o for\u00e7adas a fugir de seus pa\u00edses e abandonar seus estudos, assim como tudo que faz parte de suas vidas. Para al\u00e9m de toda a dificuldade de fugir, de todas as situa\u00e7\u00f5es desumanas pelas quais algumas dessas pessoas passam na fuga, as dificuldades de se adaptar no Brasil, os preconceitos, et cetera, a dificuldade de voltar a estudar me faz sentir de maneira mais clara a dificuldade dos refugiados.<\/p>\n\n\n\n

Isso porque essa situa\u00e7\u00e3o certamente faria parte da minha vida se quem estivesse do outro lado da mesa fosse, se eu fosse um refugiado, a volta aos estudos seria a \u00fanica maneira de ter de volta a vida que tenho. Por isso, sempre que conseguimos ajudar uma pessoa a voltar aos estudos na gradua\u00e7\u00e3o, ou a revalidar seu diploma, ou ainda a ingressar na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, sinto que estou ajudando a fazer por algu\u00e9m o que gostaria que algu\u00e9m fizesse por mim se estivesse naquela situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n

Relato da extensionista G\u00e9ssica Santos<\/strong><\/p>\n\n\n\n

Participar do projeto hospitalidade \u00e9 participar da vida de refugiados e imigrantes que est\u00e3o passando por um momento de muitas dificuldades. Nesse sentido, cada hist\u00f3ria e cada experi\u00eancia se torna muito tocante para n\u00f3s, atendentes, que buscamos ao m\u00e1ximo ajudar cada um. Um dos atendimentos que mais me marcou foi um caso de um haitiano que estava morando na rua.<\/p>\n\n\n\n

Breve descri\u00e7\u00e3o do atendimento:<\/p>\n\n\n\n

O haitiano chegou para o atendimento pedindo algum lugar para morar. Logo, fiz o cadastro dele para guardar algumas informa\u00e7\u00f5es. Antes dele ir para o atendimento, ele foi para o Minist\u00e9rio do Trabalho. Supostamente ele havia ido l\u00e1 para procurar algum emprego, e foi encaminhado para o projeto porque ele n\u00e3o tinha comprovante de resid\u00eancia. Ele j\u00e1 estava no Brasil desde 2013, fiquei imaginado o que poderia ter acontecido na vida dele desde que chegou ao Brasil pelo fato de estar morando na rua.<\/p>\n\n\n\n

Logo, eu e a Mariana, que est\u00e1vamos cuidando do caso, procuramos na internet os contatos dos lugares que abrigam estrangeiros em Curitiba, inclusive moradores de rua. Ele j\u00e1 havia passado por alguns lugares que pesquisamos, e n\u00e3o aceitaram que ele voltasse. Ligamos para um t\u00e9cnico em assist\u00eancia social, e tamb\u00e9m n\u00e3o poderiam fazer nada por ele.<\/p>\n\n\n\n

N\u00e3o sab\u00edamos mais o que fazer. A \u00fanica coisa que ele queria era trabalhar, mas n\u00e3o podia porque precisava de uma resid\u00eancia. Olhei para ele, minha vontade era de chorar por n\u00e3o conseguir ter feito mais nada para ele, e disse que infelizmente n\u00e3o poder\u00edamos ajud\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n

Infelizmente, esse caso n\u00e3o teve resolu\u00e7\u00e3o. Apesar do nosso projeto ter um grande suporte para atender as demandas, muitos refugiados ainda encontram muitas dificuldades de se adaptarem no Brasil.<\/p>\n\n\n\n

Assim sendo, espero que o nosso projeto cres\u00e7a ainda mais para que possamos ajudar majoritariamente a condi\u00e7\u00e3o de sobreviv\u00eancia desses imigrantes e refugiados em Curitiba.<\/p>\n\n\n\n

Relato da extensionista Ana Luiza Carvalho<\/strong><\/p>\n\n\n\n

Breve descri\u00e7\u00e3o do atendimento.<\/p>\n\n\n\n

        Um jovem haitiano que chegara ao Brasil h\u00e1 poucos meses, traz reclama\u00e7\u00f5es sobre seu chefe e a forma como era tratado por este.<\/p>\n\n\n\n

Principais problemas.<\/p>\n\n\n\n

        Ele come\u00e7ou a trabalhar em uma banca de verduras em dezembro de 2016, sendo prometido a ele vale alimenta\u00e7\u00e3o, vale transporte e sal\u00e1rio. Na \u00e9poca, ele ainda estava come\u00e7ando a falar portugu\u00eas e n\u00e3o foi firmado nenhum contrato. Apenas em fevereiro de 2017 \u00e9 que foi assinado um contrato estabelecendo o valor do sal\u00e1rio. Por\u00e9m, o chefe decidiu que n\u00e3o pagaria mais o vale alimenta\u00e7\u00e3o. Ele tentou conversar com o chefe e este simplesmente afirmou que s\u00f3 pagaria o sal\u00e1rio e o vale transporte. O migrante reclamou tamb\u00e9m da forma como era tratado. O gerente sempre fora desrespeitoso, dizendo que ele deveria sempre falar com ele com a cabe\u00e7a baixa e nunca poderia olhar em seus olhos. Al\u00e9m disso, o jovem pediu um dia de folga para ir ao m\u00e9dico porque estava sentindo dores no t\u00f3rax. Foi liberado, mas o m\u00e9dico pediu que ele tirasse mais um dia para retornar ao consult\u00f3rio. Quando ele pede ao chefe mais um dia de folga ele n\u00e3o permite e fala que est\u00e1 demitido, n\u00e3o precisaria mais voltar na banca de verduras. Ele vai ao m\u00e9dico e conta a situa\u00e7\u00e3o, esse m\u00e9dico conhecia o projeto e nos indicou.<\/p>\n\n\n\n

Caminho da solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n

        Pedi ajuda para a professora Josiane para saber quais seriam os direitos do jovem no \u00e2mbito trabalhista. Ela disse que o chefe realmente n\u00e3o precisaria pagar o vale alimenta\u00e7\u00e3o, mas que n\u00e3o poderia demiti-lo pelo motivo m\u00e9dico. Juntando a isso a quest\u00e3o de como o migrante era discriminado, poderia ser aberto um processo trabalhista. Pedimos ajuda no N\u00facleo de Pr\u00e1tica Jur\u00eddica da UFPR, mas eles j\u00e1 tinham entrado em f\u00e9rias e s\u00f3 seria formado um novo grupo de alunos que trabalhariam com a \u00e1rea trabalhista no fim de agosto.<\/p>\n\n\n\n

Encaminhamento<\/p>\n\n\n\n

        Infelizmente, por ora, o caso desse ovem ficou sem solu\u00e7\u00e3o. Pedimos que ele retornasse em agosto para resolver essa quest\u00e3o. Tamb\u00e9m dissemos que ele poderia ir at\u00e9 a Justi\u00e7a do Trabalho e j\u00e1 iniciar o processo. Caso o NPJ volte a atuar antes do previsto entraremos em contato com ele para que ele venha at\u00e9 n\u00f3s e ent\u00e3o possamos concluir o atendimento.<\/p>\n\n\n\n

E voc\u00ea?<\/p>\n\n\n\n

        Depois de entrar em contato com essa situa\u00e7\u00e3o aprendi que nem sempre a gente consegue atingir nossos objetivos. Me senti um pouco impotente por n\u00e3o ter mais nada que eu pudesse fazer para resolver o problema. E mesmo com esse sentimento consigo perceber a grande import\u00e2ncia do projeto. Se n\u00f3s n\u00e3o exist\u00edssemos, o migrante, provavelmente, n\u00e3o teria nenhum tipo de ajuda, ficaria completamente desinformado sobre seus direitos. Al\u00e9m disso, iniciativas como o Hospitalidade s\u00e3o respons\u00e1veis por mudar a forma como as pessoas veem os imigrantes e refugiados. N\u00f3s, que participamos do projeto, temos o dever de transformar a vis\u00e3o discriminat\u00f3ria que ainda existe na nossa sociedade. S\u00e3o situa\u00e7\u00f5es assim que fazem com que a gente valorize todas as oportunidades que temos e ainda teremos.<\/p>\n\n\n\n

Relato da extensionista Laura Hartmann<\/strong><\/p>\n\n\n\n

Um migrante nos procurou com a inten\u00e7\u00e3o de mudar seu visto tempor\u00e1rio, de estudante (sem poder realizar trabalho remunerado), para um visto permanente. Esse visto tempor\u00e1rio sempre era renovado, pelos quatro anos em que o migrante, de Angola, est\u00e1 no Brasil. Mas ele queria um visto permanente para poder entrar e sair do Brasil: sua perspectiva \u2013 de m\u00e9dio\/longo prazo \u2013 era voltar pra Angola (segundo ele, onde ele teria mais oportunidades), l\u00e1 ter seu pr\u00f3prio neg\u00f3cio na agropecu\u00e1ria e ent\u00e3o vir ao Brasil regularmente para tratar de neg\u00f3cios. Na verdade, por ter vindo pelo  Programa de Estudantes-Conv\u00eanio de Gradua\u00e7\u00e3o (PEC-G), ele \u00e9 obrigado mesmo a retornar ao seu pa\u00eds de origem para l\u00e1 contribuir na \u00e1rea na qual se graduou.<\/p>\n\n\n\n

A principal quest\u00e3o era, portanto, a mudan\u00e7a de visto. No caso desse rapaz angolano ter apenas o visto tempor\u00e1rio poderia dificultar seu plano de ir e vir de Angola ao Brasil, tornando esse processo mais lento e burocr\u00e1tico, que teria de ser feito a cada viagem. Al\u00e9m disso, seu visto de estudante n\u00e3o lhe permite trabalhar no Brasil.<\/p>\n\n\n\n

O angolano, ciente da nova Lei de Migra\u00e7\u00e3o (Lei n\u00ba 13.445\/2017), procurou o nosso projeto para questionar sobre o que essa lei estabelece a respeito do visto permanente: o problema \u00e9 que a lei n\u00e3o trata disso. Existem, de acordo com a nova lei que entra em vigor neste ano, apenas cinco tipos de visto: de visita, tempor\u00e1rio, diplom\u00e1tico, oficial e de cortesia. De qualquer maneira, mesmo de acordo com a lei antiga (o Estatuto do Estrangeiro, Lei n. 6.815\/1980), o visto permanente \u201cpoder\u00e1 ser concedido ao estrangeiro que pretenda se fixar definitivamente no Brasil\u201d \u2013 o que, logo se percebe, n\u00e3o era, na verdade, a inten\u00e7\u00e3o do angolano (sua inten\u00e7\u00e3o, pelo que ele nos disse, era fixar-se em Angola e vir regularmente ao Brasil). Al\u00e9m disso, h\u00e1 especificidades relativas a quais estrangeiros poderiam requerer o visto permanente (por exemplo, ser c\u00f4njuge de brasileiro, ter prole brasileira, etc.), crit\u00e9rios que o angolano n\u00e3o satisfazia.<\/p>\n\n\n\n

Quanto \u00e0 possibilidade da mudan\u00e7a de visto tempor\u00e1rio de estudante para visto tempor\u00e1rio de trabalho, como o migrante tinha vindo ao Brasil pelo PEC-G \u2013 um programa focado na gradua\u00e7\u00e3o de estudantes estrangeiros \u2013, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel transformar seu visto em visto de trabalho, de acordo com a Resolu\u00e7\u00e3o Normativa n\u00ba 124 do Conselho Nacional de Imigra\u00e7\u00e3o (CNIg).<\/p>\n\n\n\n

Ap\u00f3s essa consulta \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o, repassamos essas informa\u00e7\u00f5es ao rapaz. Na verdade, por mais que n\u00e3o lhe seja poss\u00edvel mudar de visto, ele ainda poder\u00e1 concretizar seus planos, mesmo sem o visto permanente. Para retornar ao Brasil e ficar brevemente por aqui, ele poder\u00e1 obter, por exemplo, um visto de visita.<\/p>\n\n\n\n

Para mim, o que de melhor p\u00f4de ser extra\u00eddo dessa experi\u00eancia foi, justamente, conhecer o migrante \u2013 saber o que ele faz aqui, conhecer sua vis\u00e3o, suas aspira\u00e7\u00f5es… E, do ponto de vista acad\u00eamico, perceber que o conhecimento que parece relativamente claro e simples ao ser abordado em sala de aula precisa ser adaptado a um contexto real, muito mais complexo.<\/p>\n\n\n\n

Relato do extensionista Christian Douglas da Silva Costa<\/strong><\/p>\n\n\n\n

Entre os casos que mais me marcaram durante os atendimentos, posso destacar a situa\u00e7\u00e3o de um refugiado proveniente da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo que buscou o aux\u00edlio do Projeto para formular um pedido de reuni\u00e3o familiar perante o Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, com o objetivo de trazer sua esposa para o Brasil, casados por instrumento de procura\u00e7\u00e3o desde mar\u00e7o de 2017. Contudo, as dificuldades come\u00e7aram a aparecer.<\/p>\n\n\n\n

Uma das dificuldades foi a excessiva burocracia exigida para a formula\u00e7\u00e3o do pedido. A documenta\u00e7\u00e3o solicitada envolvia a documenta\u00e7\u00e3o pessoal do chamante (refugiado que solicita a reuni\u00e3o familiar) e da chamante (no caso, a esposa que se beneficiar\u00e1 do pedido), o que t\u00ednhamos \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m se fazia necess\u00e1rio documentos espec\u00edficos, como a certid\u00e3o de casamento original, tradu\u00e7\u00e3o da certid\u00e3o devidamente autenticada, declara\u00e7\u00e3o de subsist\u00eancia, holerites, extratos banc\u00e1rios, enfim, uma grande lista de coisas que muitas vezes s\u00e3o inacess\u00edveis para n\u00f3s, brasileiros, e que para o refugiado se torna ainda mais complicado conseguir. Outro problema foi o desencontro de informa\u00e7\u00f5es fornecidas pelos servidores do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e os instrumentos normativos sobre os requisitos do pedido, gerando inseguran\u00e7a e incerteza. Ainda, o site para o cadastro e protocolo eletr\u00f4nico do pedido contava com um sistema defeituoso, que s\u00f3 foi resolvido ap\u00f3s contatos por telefone para o setor de TI do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n

Na data de 5 de julho de 2017, finalmente foi poss\u00edvel realizar o protocolo do pedido. Ainda faltam alguns documentos que ser\u00e3o anexados ao protocolo posteriormente e que ainda estamos conseguindo, como passaporte da chamada, carta de justificativa entre outros, uma vez que o sistema n\u00e3o oferece muitas op\u00e7\u00f5es para discorrer sobre a reuni\u00e3o familiar, fornecendo apenas um modelo de formul\u00e1rio a ser anexado.<\/p>\n\n\n\n

A experi\u00eancia como volunt\u00e1rio no Projeto Hospitalidade da Universidade Federal do Paran\u00e1 vem sendo respons\u00e1vel por me proporcionar momentos \u00fanicos e de grande estima. Tive a oportunidades de lidar com casos mais simples at\u00e9 situa\u00e7\u00f5es complexas como a mencionada, que exigem de qualquer atendente no plant\u00e3o: disposi\u00e7\u00e3o, seja para explicar quantas vezes for necess\u00e1rio para o refugiado, ligar para pessoas desconhecidas, mandar diversos e-mails ou redigir um texto, bem como exige empatia, tendo consci\u00eancia do dever c\u00edvico de se colocar no lugar do pr\u00f3ximo, na busca de uma sociedade mais solid\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n

Relato da extensionista Val\u00e9ria Ribeiro<\/strong><\/p>\n\n\n\n

            \u201cSobre todos os casos que j\u00e1 passaram por mim no Hospitalidades, \u00e9 dif\u00edcil escolher um que tenha sido o mais marcante, afinal a maioria das pessoas que vem at\u00e9 o projeto encontra-se em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade em um pa\u00eds com a l\u00edngua e a cultura completamente diferente daquelas com as quais est\u00e3o habituadas. Ent\u00e3o vou falar um pouco dos casos que contabilizam parte da maioria dos atendimentos do nosso projeto: a revalida\u00e7\u00e3o de diploma de curso superior feito no exterior. Acho realmente lament\u00e1vel que em nosso pa\u00eds seja t\u00e3o dif\u00edcil revalidar um diploma, nesse processo s\u00e3o impostos v\u00e1rios obst\u00e1culos para aqueles que pretendem reaproveitar em territ\u00f3rio nacional aquilo que estudaram no exterior, al\u00e9m da obvia barreira da l\u00edngua, h\u00e1 dificuldades na hora da inscri\u00e7\u00e3o, uma excessiva burocratiza\u00e7\u00e3o na exig\u00eancia de documentos, n\u00e3o levando em conta que muitas pessoas, por serem refugiadas, tiveram que sair \u00e0s pressas de sua terra natal porque corriam risco de vida, o conte\u00fado da prova que s\u00f3 \u00e9 posto em edital poucas semanas antes da prova, quest\u00f5es que nem sempre s\u00e3o razo\u00e1veis, o curto prazo para a inscri\u00e7\u00e3o, entre outros pontos. Assim, al\u00e9m de uma m\u00e3o de obra qualificada n\u00e3o ser aproveitada, essas pessoas, que possuem uma forma\u00e7\u00e3o superior, e muitas vezes, inclusive, tem reconhecimento internacional, acabam sendo obrigadas a trabalharem em cargos que n\u00e3o correspondem a sua forma\u00e7\u00e3o e que podem at\u00e9 mesmo causar um impacto psicol\u00f3gico negativo. Por exemplo, um m\u00e9dico s\u00edrio que possu\u00ed reconhecimento internacional, mas como n\u00e3o conseguiu revalidar o seu diploma acabou tendo que trabalhar como faxineiro em um posto de sa\u00fade, vendo diariamente, outras pessoas exercerem a sua fun\u00e7\u00e3o em atendimentos di\u00e1rios, o que dependendo do atendimento em quest\u00e3o ele poderia realizar de uma maneira melhor devido a sua especializa\u00e7\u00e3o. Entretanto, devido a atua\u00e7\u00e3o do nosso projeto, j\u00e1 foram conseguidas v\u00e1rias melhorias no processo de revalida\u00e7\u00e3o, (embora alguns problemas permane\u00e7am) como a flexibiliza\u00e7\u00e3o da documenta\u00e7\u00e3o mediante justificativa, a possibilidade de isen\u00e7\u00e3o de taxa e a abertura de um edital no meio do ano (o que geralmente s\u00f3 ocorre uma vez, no final do ano). Pessoalmente, antes de trabalhar no projeto, eu n\u00e3o sabia que existiam tantas dificuldades para se revalidar um diploma, o que afetou a minha perspectiva de ensino superior em outros pa\u00edses, tamb\u00e9m \u00e9 triste ver como se perde tanto por quest\u00f5es burocr\u00e1ticas, todos os migrantes para os quais a revalida\u00e7\u00e3o ajudaria a obter uma grande melhora de qualidade de vida terem essa oportunidade negada. Apesar de tudo, \u00e9 muito gratificante quando se v\u00ea que um dos migrantes que passaram pelo projeto consegue completar o processo de revalida\u00e7\u00e3o e ter seu diploma validado no Brasil. Quanto a outros aspectos do programa, \u00e9 sempre impactante ouvir hist\u00f3rias de pessoas que tiveram que fugir do seu pr\u00f3prio pa\u00eds, e possuem uma cultura e hist\u00f3ria totalmente daquela que estou a costumada a vivenciar no meu dia a dia, mas esse choque de realidade \u00e9 bom para sair da minha bolha pessoal e da bolha que \u00e9 a realidade da vida na universidade em que \u00e9 e ver que existem problemas muito maiores no mundo.\u201d<\/p>\n\n\n\n

Relato da extensionista Suzana Silva<\/strong><\/p>\n\n\n\n

Uma mulher s\u00edria de 58 anos, formada na Escola de Forma\u00e7\u00e3o M\u00e9dica de Moscou em Assist\u00eancia m\u00e9dica obst\u00e9trica, falante de quatro l\u00ednguas das quais o ingl\u00eas \u00e9 o mais utilizado aqui, chegou ao Projeto e conquistou a simpatia de todos. Os motivos que a trouxeram ao Brasil n\u00e3o foram agrad\u00e1veis, ela veio da S\u00edria por medo da guerra que se alastra cada vez mais pelo pa\u00eds e que j\u00e1 matou muitas pessoas.<\/p>\n\n\n\n

Apesar da extensa forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica e da rica experi\u00eancia profissional e cultural, ela veio ao Brasil com seus filhos sem nada trazer consigo de seus bens materiais. Ainda que em condi\u00e7\u00f5es desfavor\u00e1veis, mant\u00e9m a mesma energia e disposi\u00e7\u00e3o de sempre para recome\u00e7ar do zero, iniciando pelos estudos. Foi esse motivo que nos aproximou em uma tarde de segunda-feira no Projeto. Fiz sua inscri\u00e7\u00e3o para o processo de revalida\u00e7\u00e3o da Universidade Federal do Paran\u00e1.<\/p>\n\n\n\n

N\u00e3o foi t\u00e3o simples encaixar sua forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica aos modelos de cursos de gradua\u00e7\u00e3o oferecidos no nosso pa\u00eds. No Brasil, para atuar de forma independente em cl\u00ednicas e hospitais, \u00e9 necess\u00e1rio ter cursado Medicina e, dependendo da \u00e1rea em que se deseja atuar, ter feito resid\u00eancia m\u00e9dica. Esse processo formativo leva de 6 a 12 anos. J\u00e1 em seu pa\u00eds de origem, a certifica\u00e7\u00e3o de assist\u00eancia m\u00e9dica, no caso dela com foco em obstetr\u00edcia e ginecologia, era suficiente para que pudesse ser dona de sua pr\u00f3pria cl\u00ednica e para que realizasse todos os procedimentos nos hospitais de forma aut\u00f4noma.<\/p>\n\n\n\n

Ela descreve sua atua\u00e7\u00e3o por anos em hospitais de maternidade, nos quais realizou mais de 300 procedimentos de parto. Infelizmente, toda essa experi\u00eancia comprovada n\u00e3o foi suficiente para que pudesse revalidar seu diploma como m\u00e9dica de fato. Ap\u00f3s debatermos junto aos integrantes do projeto qual seria a melhor adequa\u00e7\u00e3o para a validade do diploma, decidimos que a Enfermagem era a grade curricular com maior equival\u00eancia. T\u00ednhamos consci\u00eancia de que n\u00e3o era o ideal em vista do hist\u00f3rico profissional dela, a refugiada, inclusive, menciona que passou por um curso t\u00e9cnico de enfermagem aqui no pa\u00eds, mas que esse era muito raso em conte\u00fado em compara\u00e7\u00e3o ao que ela j\u00e1 havia aprendido e realizado.<\/p>\n\n\n\n

Sempre animada, em contrapartida das dificuldades, a mulher diz estar estudando a l\u00edngua portuguesa e os conte\u00fados program\u00e1ticos das provas exigidas para a revalida\u00e7\u00e3o. Ao final do atendimento e depois de uma longa e prazerosa conversa, entregou um chocolate a cada integrante do projeto, materializando seu sentimento de gratid\u00e3o pelas pessoas que a atenderam e a auxiliaram. Fiquei muito feliz ao ver seu nome na lista de inscri\u00e7\u00f5es homologadas e estou na torcida para que ela se saia muito bem nos exames.<\/p>\n\n\n\n

Cada sorriso e cada gentileza dessa pessoa vencedora de muitas dificuldades simbolizava, para mim, um sentimento genu\u00edno de esperan\u00e7a. Em qualquer lugar, em quaisquer condi\u00e7\u00f5es e em qualquer per\u00edodo da vida, se n\u00e3o perdermos o \u00e2nimo (a alma que nos move), podemos estar sempre alegres e sempre prontos para as jornadas rumo a nossa realiza\u00e7\u00e3o pessoal. E alegria, como me provou essa senhora, n\u00e3o \u00e9 algo que vem do que est\u00e1 l\u00e1 fora ou do lugar que habitamos, mas parte da perspectiva que temos dentro sobre o que nos atinge exteriormente.<\/p>\n\n\n\n

Relato do extensionista Igor Zarnicinski<\/strong><\/p>\n\n\n\n

            Foi logo nas minhas primeiras semanas de projeto que me ocorreu o caso que mais me marcou. Duas mulheres entraram na sala, com um certo ar desconfiado \u2014 eram duas migrantes haitianas, ambas na segunda metade dos vinte anos. Uma delas estava no Brasil h\u00e1 mais tempo e j\u00e1 compreendia e falava melhor o portugu\u00eas, e veio com sua amiga para ajud\u00e1-la na comunica\u00e7\u00e3o. Essencialmente, a necessidade efetiva de uma delas era obter informa\u00e7\u00f5es sobre o processo de revalida\u00e7\u00e3o de diploma estrangeiro de Ensino Superior; ela queria, tamb\u00e9m, saber o que deveria fazer para se inscrever em um programa de mestrado em sua \u00e1rea de forma\u00e7\u00e3o. Procurei as informa\u00e7\u00f5es pertinentes, fiz o poss\u00edvel para explic\u00e1-las de maneira clara e compreens\u00edvel, e me comprometi a enviar por e-mail explica\u00e7\u00f5es sobre pormenores que n\u00e3o conseguimos encontrar no momento ou que demandavam explica\u00e7\u00e3o por escrito, devido \u00e0 sua complexidade.<\/p>\n\n\n\n

Nessa situa\u00e7\u00e3o concreta, eram tr\u00eas os problemas mais evidentes, ou que me pareceram mais evidentes: para ajudar a migrante, eu teria que primeiro transpor a barreira lingu\u00edstica. Por mais que houvesse uma amiga com ela, uma conversa \u201ctriangular\u201d, com int\u00e9rprete, implicaria em certa \u201cperda na tradu\u00e7\u00e3o\u201d, adicionando um passo a mais na transmiss\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es que j\u00e1 eram complexas por natureza, mesmo para um brasileiro nativo. Havia tamb\u00e9m a barreira da desconfian\u00e7a \u2014 a mulher a quem eu estava atendendo parecia um pouco receosa de fornecer identifica\u00e7\u00e3o e detalhes de sua vida pr\u00f3pria a um completo estranho, por mais que tivesse vindo at\u00e9 a sala do projeto para ser atendida. Por fim, a dificuldade mais \u00f3bvia era a de obten\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias; eu n\u00e3o tinha muita certeza quanto aos pr\u00e9-requisitos para ingresso no programa de mestrado na UFPR, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n

Felizmente, o problema lingu\u00edstico foi resolvido rapidamente, e com satisfatoriedade razo\u00e1vel: como o Haiti \u00e9 uma ex-col\u00f4nia francesa, o franc\u00eas ainda \u00e9 muito estudado por l\u00e1. Eu fiz um ano e meio de aulas de franc\u00eas e, apesar de n\u00e3o falar perfeitamente, consigo entender e me fazer entender. Assim sendo, a maior parte do tempo falei com as duas mulheres nesta l\u00edngua, me voltando \u00e0 que residia h\u00e1 mais tempo no Brasil para que traduzisse frases mais complexas ou palavras mais obscuras. A desconfian\u00e7a inicial n\u00e3o foi de todo vencida, e nem poderia ser, penso, com algu\u00e9m t\u00e3o longe de casa, num local t\u00e3o novo e estranho, mas trilhei o caminho seguro na tentativa de diluir esse sentimento: tratei ambas as migrantes com franqueza e honestidade, mostrando estar fazendo o meu melhor em atend\u00ea-las, e busquei demonstrar sempre boa vontade e solicitude para com os problemas que me foram apresentados. A obten\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es foi feita da maneira usual, com perguntas aos colegas presentes na sala de atendimento ou atrav\u00e9s de buscas na internet.<\/p>\n\n\n\n

Expliquei \u00e0 migrante o procedimento para que ela revalidasse o diploma que possu\u00eda aqui no Brasil, e tamb\u00e9m o procedimento para que ela ingressasse no programa de mestrado da UFPR, em sua \u00e1rea de estudos, que era Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica. Todavia, o \u00faltimo edital que encontramos e que abria processo seletivo para o mestrado em Administra\u00e7\u00e3o tinha como requerimento a realiza\u00e7\u00e3o de uma prova anterior, de n\u00edvel nacional (o \u201cteste ANPAD\u201d). Assim, me comprometi a pesquisar de que se tratava esse teste e enviar as informa\u00e7\u00f5es por e-mail; me comprometi, tamb\u00e9m, a enviar o arquivo PDF do \u00faltimo edital do mestrado para que ela pudesse l\u00ea-lo com calma. Fiz ambas as coisas na semana subsequente, no meu dia de projeto, no intervalo entre atendimentos.<\/p>\n\n\n\n

Como sempre, percebi o quanto \u00e9 dura a vida do migrante: se muitos aspectos da vida no Brasil j\u00e1 s\u00e3o confusos para n\u00f3s, brasileiros, quem dir\u00e1 para essas pessoas que caem aqui de p\u00e1ra-quedas e tem que lidar com toda uma realidade nova? Qu\u00e3o dif\u00edcil n\u00e3o deve ser deixar para tr\u00e1s diplomas, forma\u00e7\u00e3o, fam\u00edlia, amigos, praticamente ter que assumir uma identidade nova? Um ponto positivo dessa experi\u00eancia foi ter percebido a import\u00e2ncia de se aprender novas l\u00ednguas, por\u00e9m \u2014 n\u00e3o fosse por isso, talvez o atendimento n\u00e3o tivesse sido t\u00e3o bem sucedido quanto foi. Ter essas novas possibilidades de comunica\u00e7\u00e3o e de ajudar as pessoas \u00e9 um motivador a continuar estudando e me aprimorando!<\/p>\n\n\n\n

Relato do extensionista Natan Adreis<\/strong><\/p>\n\n\n\n

Comecei no Projeto Hospitalidades em mar\u00e7o de 2017 e, desde l\u00e1, por mais que tenham se passado apenas quatro meses, j\u00e1 vivenciei muitas situa\u00e7\u00f5es, j\u00e1 conversei com muitos migrantes, conheci um pouco de suas hist\u00f3rias e busquei dar o melhor encaminhamento poss\u00edvel \u00e0s suas demandas.<\/p>\n\n\n\n

Lembro-me bem de dois venezuelanos e uma cubana (os nomes prefiro n\u00e3o mencionar para manter a privacidade) que atendi juntamente com meus colegas da quarta-feira, que estavam buscando a revalida\u00e7\u00e3o de diploma, sendo que eram tanto a cubana quanto os venezuelanos, refugiados no Brasil. Os venezuelanos buscavam revalida\u00e7\u00e3o na \u00e1rea de inform\u00e1tica, e a cubana na \u00e1rea de m\u00fasica. Demos encaminhamento aos pedidos atrav\u00e9s de edital de revalida\u00e7\u00e3o aberto \u00e0 \u00e9poca, mas o que mais me marcou aquele dia foram as hist\u00f3rias que essas tr\u00eas pessoas contaram.<\/p>\n\n\n\n

N\u00e3o \u00e9 muito comum os migrantes se abrirem logo no primeiro encontro, mas com esses tr\u00eas desse dia foi diferente. Apresentaram suas demandas e, enquanto perfaz\u00edamos toda a burocracia do pedido envolvido (escanear documentos, preencher fichas, emitir guias), foram nos contando um pouco de sua hist\u00f3ria e sua jornada para chegar ao Brasil.<\/p>\n\n\n\n

Quanto \u00e0 cubana, lembro-me bem de que nos contou que havia sa\u00eddo \u00e0s pressas de seu pa\u00eds, inclusive tendo que comprar o sil\u00eancio de oficiais do regime, justamente porque estava saindo fugida do regime ditatorial. Contou-nos que passou pelas florestas da Am\u00e9rica Central e tamb\u00e9m pela floresta amaz\u00f4nica (acredito que na Col\u00f4mbia) at\u00e9 chegar ao Brasil, em Manaus. De l\u00e1 at\u00e9 chegar a Curitiba, com certeza passou por dificuldades, como a falta de dinheiro, de habita\u00e7\u00e3o, de um emprego. Estava ali no projeto justamente porque esperava que, tendo revalidado seu diploma de m\u00fasica, conseguisse arranjar um emprego em alguma institui\u00e7\u00e3o de ensino de m\u00fasica na cidade.<\/p>\n\n\n\n

Situa\u00e7\u00e3o similar ocorreu com os venezuelanos. Fugiram de seu pa\u00eds cruzando a fronteira terrestre para o Brasil, chegando tamb\u00e9m a Manaus. L\u00e1, tiveram a infelicidade de serem assaltados. Como n\u00e3o possu\u00edam resid\u00eancia fixa l\u00e1 tamb\u00e9m, os assaltantes levaram documentos, dinheiro, praticamente tudo que tinham. Chegaram at\u00e9 n\u00f3s com um boletim de ocorr\u00eancia, na espera de abonar a necessidade daqueles documentos que haviam sido roubados e, assim como a cubana, aumentar suas chances de conseguir um emprego aqui na cidade.<\/p>\n\n\n\n

O que ficou, e isso consegui sentir em outros atendimentos (j\u00e1 atendi inclusive um haitiano que havia sido v\u00edtima de racismo em seu trabalho), \u00e9 que muitos migrantes encontram dificuldades grandes ao sair de seu pa\u00eds (muitos que atendemos em situa\u00e7\u00e3o de persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, religiosa, ideol\u00f3gica, como esses que mencionei nesse relato), passam por priva\u00e7\u00f5es desumanas na jornada at\u00e9 o Brasil (muitas vezes feita atrav\u00e9s de coiotes, e da pior maneira poss\u00edvel), e encontram grandes dificuldades aqui no Brasil tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n

Passam por viola\u00e7\u00f5es dos direitos mais b\u00e1sicos, necess\u00e1rios \u00e0 exist\u00eancia digna de qualquer ser humano, mas, ainda assim, tem no Brasil a sua esperan\u00e7a de sobreviv\u00eancia, pelo menos at\u00e9 que a situa\u00e7\u00e3o em seu pa\u00eds melhore, pois, e isso deve ser dito, essas pessoas n\u00e3o saem de seus pa\u00edses por lazer ou porque querem. S\u00e3o, em maioria, for\u00e7ados ao deslocamento migrat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n

Justamente por isso, vejo a grande import\u00e2ncia de projetos como o que desenvolvemos no Hospitalidades, onde buscamos possibilitar uma exist\u00eancia mais digna a essas pessoas, j\u00e1 t\u00e3o calejadas das situa\u00e7\u00f5es que vivenciaram. Justamente por tudo isso que posso dizer que estou grato de fazer parte de um projeto que busca, acima de tudo, ajudar pessoas, ajudar seres humanos que s\u00e3o t\u00e3o seres humanos e t\u00e3o dignos de respeito quanto qualquer um de n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n

<\/p>\n\n\n\n

Sofia Elo\u00e1 de Oliveira Souza Bringhenti
<\/strong><\/p>\n\n\n\n

  1. BREVE DESCRI\u00c7\u00c3O DO ATENDIMENTO
    Normalmente, quando fico na sala 28 e n\u00e3o \u00e9 \u00e9poca de edital aberto de
    Reingresso\/Revalida\u00e7\u00e3o, atendo um ou dois imigrantes que pedem informa\u00e7\u00f5es sobre outros
    editais, sejam do MEC ou outro \u00f3rg\u00e3o que trabalhe com imigrantes.
    As maiores dificuldades que eu encontro est\u00e3o, muitas vezes, no idioma. Muitas vezes
    n\u00e3o consigo compreender o que os imigrantes falam, mesmo sendo em portugu\u00eas, mas n\u00e3o
    deixo isso impedir o atendimento.
    Na maior parte do tempo, eu fico com o Dr. Luiz Marlo atendendo as demandas
    judiciais.<\/li>
  2. PRINCIPAIS PROBLEMAS
    Por conta de termos perdido todos os dados dos imigrantes com o v\u00edrus, fica dif\u00edcil
    atender um imigrante que j\u00e1 teve uma demanda na sala e que teria os seus dados nos
    documentos perdidos.
    Muitas vezes, tamb\u00e9m, \u00e9 dif\u00edcil porque n\u00e3o conhe\u00e7o todos os procedimentos com que
    trabalhamos na sala. Sinto-me um pouco desorientada com isso, aprender na pr\u00e1tica muitas
    vezes me gera inseguran\u00e7a.<\/li>
  3. CAMINHO DA SOLU\u00c7\u00c3O
    Acredito que o melhor caminho para solucionar os problemas citados seria difundir
    mais informa\u00e7\u00e3o para os volunt\u00e1rios, para evitar uma situa\u00e7\u00e3o de equ\u00edvoco muito grave, j\u00e1
    que estamos trabalhando efetivamente com a vida da popula\u00e7\u00e3o que atendemos.<\/li>
  4. ENCAMINHAMENTO
    O encaminhamento dos imigrantes \u00e9 muito importante, como disse, porque
    trabalhamos efetivamente com a vida das pessoas que atendemos. Temos que tentar sempre
    conseguir a solu\u00e7\u00e3o dos problemas que se apresentam, independente da dificuldade.
    Nem sempre consegui fazer isso, mais por falta de orienta\u00e7\u00e3o, como aconteceu
    recentemente que uma imigrante pediu inscri\u00e7\u00e3o para o Celpe-Bras com intuito de
    naturaliza\u00e7\u00e3o, e eu n\u00e3o sabia que n\u00e3o faz\u00edamos isso.<\/li>
  5. E VOC\u00ca?
    O projeto \u00e9 enriquecedor culturalmente, estar em contato com diferentes pessoas de
    diferentes nacionalidades seria algo impens\u00e1vel fora da UFPR. \u00c9 um projeto que com certeza
    est\u00e1 ajudando muito a minha forma\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 como acad\u00eamica, mas como ser humano capaz
    de empatia.<\/li><\/ol>\n\n\n\n

    Georgia Colleone<\/strong><\/p>\n\n\n\n

    Desde o in\u00edcio do ano os atendimentos na sala 28 t\u00eam sido um desafio para mim. Sinto sempre uma certa tens\u00e3o e ansiedade toda vez que um migrante entra na sala, e imediatamente come\u00e7o a pensar se serei efetivamente \u00fatil e se saberei informar adequadamente as quest\u00f5es que forem trazidas.<\/p>\n\n\n\n

    Algumas pessoas t\u00eam medo de falar em p\u00fablico (a chamada \u201cglossofobia\u201d), enquanto que eu, por outro lado, fico aflita e receosa em prestar atendimentos, um medo que me acompanha desde o in\u00edcio da vida profissional. E, por isso, o trabalho na sala 28 tem sido especialmente desafiador.<\/p>\n\n\n\n

    Al\u00e9m disso, tenho consci\u00eancia de que as demandas que chegam at\u00e9 n\u00f3s s\u00e3o sempre urgentes e requerem muita responsabilidade, tendo em vista que estamos lidando com a vida das pessoas que buscam aux\u00edlio no projeto.<\/p>\n\n\n\n

    De uma forma geral, a maior parte das situa\u00e7\u00f5es que chegaram at\u00e9 mim foram relativamente simples, quais sejam, aulas de portugu\u00eas, reingresso na universidade, revalida\u00e7\u00e3o de diplomas e interesse no vestibular.<\/p>\n\n\n\n

    Contudo, dois atendimentos me marcaram muito. Um deles foi de um rapaz do Egito, que n\u00e3o falava portugu\u00eas e tinha um ingl\u00eas mediano, que pretendia alterar o visto de turista para estudante, mediante ingresso em um curso superior na \u00e1rea de Sistemas de Informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n

    Pesquisei muito, consultei colegas do projeto e a prof. Tatyana, e pude inform\u00e1-lo que, de acordo com a Pol\u00edcia Federal, para conseguir um visto de estudante n\u00e3o era necess\u00e1rio ingressar em curso superior, o que seria imposs\u00edvel neste caso em raz\u00e3o do idioma. Ele poderia, ent\u00e3o, cursar aulas de portugu\u00eas, no m\u00ednimo 15 horas por semana, para que obtivesse o visto.<\/p>\n\n\n\n

    Depois de solucionado este caso fiquei bastante aliviada, porque me pareceu que o rapaz pensava que eu estivesse j\u00e1 matriculando-o na universidade. Isso me fez refletir como a l\u00edngua \u00e9 uma grande barreira para a comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n

    Outro caso que tamb\u00e9m me marcou foi de um venezuelano, que j\u00e1 foi atendido tamb\u00e9m por outros colegas, e que estava em situa\u00e7\u00e3o de rua.<\/p>\n\n\n\n

    Verifiquei que os outros volunt\u00e1rios do projeto j\u00e1 tinham dado o devido encaminhamento \u00e0s demandas que ele tinha (como encaminh\u00e1-lo para a FAS, para a defensoria p\u00fablica, etc) e, infelizmente, naquele momento nada pude fazer. Cada atendimento me traz uma reflex\u00e3o diferente, e me faz reconhecer os in\u00fameros privil\u00e9gios que tenho, al\u00e9m de me dar a certeza de que a luta por um mundo menos desigual n\u00e3o pode parar.<\/p>\n\n\n\n

    Georgia Colleone<\/strong><\/p>\n\n\n\n

    Desde o in\u00edcio do ano os atendimentos na sala 28 t\u00eam sido um desafio para mim. Sinto sempre uma certa tens\u00e3o e ansiedade toda vez que um migrante entra na sala, e imediatamente come\u00e7o a pensar se serei efetivamente \u00fatil e se saberei informar adequadamente as quest\u00f5es que forem trazidas.<\/p>\n\n\n\n

    Algumas pessoas t\u00eam medo de falar em p\u00fablico (a chamada \u201cglossofobia\u201d), enquanto que eu, por outro lado, fico aflita e receosa em prestar atendimentos, um medo que me acompanha desde o in\u00edcio da vida profissional. E, por isso, o trabalho na sala 28 tem sido especialmente desafiador.<\/p>\n\n\n\n

    Al\u00e9m disso, tenho consci\u00eancia de que as demandas que chegam at\u00e9 n\u00f3s s\u00e3o sempre urgentes e requerem muita responsabilidade, tendo em vista que estamos lidando com a vida das pessoas que buscam aux\u00edlio no projeto.<\/p>\n\n\n\n

    De uma forma geral, a maior parte das situa\u00e7\u00f5es que chegaram at\u00e9 mim foram relativamente simples, quais sejam, aulas de portugu\u00eas, reingresso na universidade, revalida\u00e7\u00e3o de diplomas e interesse no vestibular.<\/p>\n\n\n\n

    Contudo, dois atendimentos me marcaram muito. Um deles foi de um rapaz do Egito, que n\u00e3o falava portugu\u00eas e tinha um ingl\u00eas mediano, que pretendia alterar o visto de turista para estudante, mediante ingresso em um curso superior na \u00e1rea de Sistemas de Informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n

    Pesquisei muito, consultei colegas do projeto e a prof. Tatyana, e pude inform\u00e1-lo que, de acordo com a Pol\u00edcia Federal, para conseguir um visto de estudante n\u00e3o era necess\u00e1rio ingressar em curso superior, o que seria imposs\u00edvel neste caso em raz\u00e3o do idioma. Ele poderia, ent\u00e3o, cursar aulas de portugu\u00eas, no m\u00ednimo 15 horas por semana, para que obtivesse o visto.<\/p>\n\n\n\n

    Depois de solucionado este caso fiquei bastante aliviada, porque me pareceu que o rapaz pensava que eu estivesse j\u00e1 matriculando-o na universidade. Isso me fez refletir como a l\u00edngua \u00e9 uma grande barreira para a comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n

    Outro caso que tamb\u00e9m me marcou foi de um venezuelano, que j\u00e1 foi atendido tamb\u00e9m por outros colegas, e que estava em situa\u00e7\u00e3o de rua.<\/p>\n\n\n\n

    Verifiquei que os outros volunt\u00e1rios do projeto j\u00e1 tinham dado o devido encaminhamento \u00e0s demandas que ele tinha (como encaminh\u00e1-lo para a FAS, para a defensoria p\u00fablica, etc) e, infelizmente, naquele momento nada pude fazer. Cada atendimento me traz uma reflex\u00e3o diferente, e me faz reconhecer os in\u00fameros privil\u00e9gios que tenho, al\u00e9m de me dar a certeza de que a luta por um mundo menos desigual n\u00e3o pode parar.<\/p>\n\n\n\n

    <\/p>\n\n\n\n

    Vin\u00edcius Nascimento<\/strong><\/p>\n\n\n\n

    Conheci o Projeto Ref\u00fagio, Migra\u00e7\u00e3o e Hospitalidade do Programa Pol\u00edtica Migrat\u00f3ria e Universidade Brasileira em janeiro de 2017, quando naquela oportunidade da Semana do Calouro fui apresentado as atividades e a\u00e7\u00f5es realizadas pelo Projeto no Pr\u00e9dio Hist\u00f3rico da UFPR, bem como de toda a atua\u00e7\u00e3o e objetivo de transforma\u00e7\u00e3o social e da garantia da dignidade da pessoa humana para a vida daqueles que desejam construir uma nova fase da sua hist\u00f3ria junto com a sociedade e Estado Brasileiro: os refugiados, ap\u00e1tridas e migrantes.<\/p>\n\n\n\n

    Hoje, atuando h\u00e1 6 meses no projeto tive a certeza emp\u00edrica de que sempre podemos auxiliar, ainda que com singelos conhecimentos e recursos, para a transforma\u00e7\u00e3o social e para a altera\u00e7\u00e3o da realidade de diversas pessoas.<\/p>\n\n\n\n

    Em minha atua\u00e7\u00e3o no Projeto realizei diversos atendimentos, mas minha principal atividade realizada foi em rela\u00e7\u00e3o ao atendimento de Refugiados que demandavam a emiss\u00e3o dos certificados de profici\u00eancia em l\u00edngua portugues.<\/p>\n\n\n\n

    No atendimento dos referidos casos, conclui que h\u00e1 a necessidade de intensificar bem como criar canais de melhor di\u00e1logo entre a Sala 28 e o Projeto Portugu\u00eas Brasileiro para Migra\u00e7\u00e3o Humanit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n

    Estabelecer formas de melhorar a integra\u00e7\u00e3o entre ambos projetos, bem como melhorar a forma de di\u00e1logo \u00e9 de suma import\u00e2ncia para o desenvolvimento efetivo das atividades.<\/p>\n\n\n\n

    Ter de forma clara quem contatar, bem como onde encaminhar os Refugiados que demandam de atendimento espec\u00edfico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 l\u00edngua portuguesa \u00e9 de suma import\u00e2ncia, pois em alguns casos nem o contato telef\u00f4nico fornecido pelo pr\u00f3prio PBMIH possui conhecimentos ou respostas efetivas para os casos que chegam na Sala 28.<\/p>\n\n\n\n

    Reitero meus anseios de auxiliar a Sala 28 Na integra\u00e7\u00e3o e melhora da rela\u00e7\u00e3o com o PBMIH, bem como reitero meus anseios de auxiliar nosso Projeto com aplica\u00e7\u00e3o dos meus singelos conhecimentos jur\u00eddicos, t\u00e9cnicos e referente \u00e0 idiomas e pesquisas, visando assim, realizar ainda mais transforma\u00e7\u00f5es sociais e emp\u00edrica na realidade brasileira..<\/p>\n\n\n\n

    Desejo por fim, auxiliar tamb\u00e9m com as quest\u00f5es de m\u00eddias sociais, design, tradu\u00e7\u00e3o de documentos e todas as quest\u00f5es necess\u00e1ria referentes \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o, publica\u00e7\u00e3o e compartilhamento do projeto, objetivando que a Sociedade e especialmente o p\u00fablico-alvo do projeto, conhe\u00e7am as atividades aqui realizadas. Agrade\u00e7o novamente a oportunidade.<\/p>\n\n\n\n

    Rubens Novicki Neto -2019<\/strong><\/p>\n\n\n\n

    Participo do PMUB h\u00e1 aproximadamente seis meses, e pouqu\u00edssimos dias foram t\u00e3o movimentados como 10\/07, quando uma extraordin\u00e1ria sucess\u00e3o de eventos ocorreu. Tudo encontrava-se dentro da normalidade no atendimento da sala 28, mesmo na minha solid\u00e3o, at\u00e9 que o intempestivo reinou entre uma impress\u00e3o de livro did\u00e1tico e um telefonema da Delegacia da Mulher.<\/p>\n\n\n\n

                Quase no final do expediente, apareceu-me uma venezuelana formada em Direito que buscava um guia de estudos para o teste de revalida\u00e7\u00e3o de diploma. Mostrei-a o edital, emprestei a bibliografia da biblioteca e comecei a copiar o livro para ela. Neste instante, tocou o telefone da sala: era uma delegada procurando pela prof. Tatyana e o contato de uma mulher haitiana, que no dia anterior tinha registrado um boletim denunciando viol\u00eancia dom\u00e9stica. Nunca tinha sequer conversado com um delegado, muito menos sobre caso de pol\u00edcia. Por\u00e9m, ao assimilar a urg\u00eancia da situa\u00e7\u00e3o, mantive a calma e busquei melhor compreend\u00ea-la, uma vez a professora n\u00e3o estando presente. Fiz o que estava ao meu alcance e pedi a delegada que aguardasse em linha, roguei paci\u00eancia \u00e0 venezuelana, e contatei a professora por telefone. Prontamente obtendo resposta, ela me disse que tamb\u00e9m n\u00e3o dispunha do contato da mulher, pois compareceu junto a delegacia como tradutora e somente a Casa da Mulher Brasileira disporia do contato. Terminada a chamada, voltei \u00e0 delegada e serenamente repassei as informa\u00e7\u00f5es. Agradecida, ela desligou. Respirei aliviado, at\u00e9 olhar para o rel\u00f3gio, pois estava atrasado para um compromisso na Par\u00f3quia perto de casa. Assim, terminei as c\u00f3pias, entreguei-as a imigrante e, ela infinitamente grata deu-me um sorriso e um sincero obrigado. Cansado e atrasado, encontrei nela um alegre al\u00edvio e rumei \u00e0 Igreja, sabendo que fiz meu melhor.<\/p>\n\n\n\n

                Como principal li\u00e7\u00e3o adquiri um senso de propor\u00e7\u00e3o mais sens\u00edvel. A impress\u00e3o do livro parecia-me, \u00e0 primeira vista, banal e fi-la sem cerim\u00f4nias; na perspectiva da venezuelana, ela estava depositando uma grande confian\u00e7a em mim, pois revalidar o diploma era sua esperan\u00e7a de vida nova no Brasil. Em contrapartida, o telefonema da delegada pode ser sido normal e protocolar, enquanto que para mim foi um grande privil\u00e9gio e orgulho ter resolvido, dentro do poss\u00edvel, a situa\u00e7\u00e3o com destreza. No contato com o outro, sempre h\u00e1 um novo ponto de vista a ser descoberto, eis meu aprendizado.      <\/p>\n\n\n\n

    <\/p>\n\n\n\n

    Ana J\u00falia Amaro Miyashiro<\/strong><\/p>\n\n\n\n

    Estar no PMUB tem sido uma experi\u00eancia muito gratificante. Eu entrei no projeto ap\u00f3s assistir \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o desse na semana do calouro. Achei uma ideia fenomenal e percebi que poderia tirar muitas li\u00e7\u00f5es de uma experi\u00eancia como essa, mas jamais imaginava qu\u00e3o profundas mudan\u00e7as de atitudes diante da vida teria gra\u00e7as ao PMUB.<\/p>\n\n\n\n

    Lembro-me, em especial, de tr\u00eas irm\u00e3os venezuelanos que atendi em uma das minhas primeiras semanas do projeto. Eram um garoto e duas garotas. Como eu tenho um irm\u00e3o e uma irm\u00e3, imediatamente, lembrei da minha fam\u00edlia. Eles haviam deixado n\u00e3o s\u00f3 seu pa\u00eds de origem, mas tamb\u00e9m seus pais. Os irm\u00e3os me contaram que, antigamente, eram uma fam\u00edlia de classe m\u00e9dia, estudavam em col\u00e9gios particulares, n\u00e3o lhes faltava nada de essencial. No entanto, com a crise que atingiu a Venezuela, perderam tudo, n\u00e3o tinham nem o que comer.<\/p>\n\n\n\n

    Os pais, ent\u00e3o, decidiram envi\u00e1-los ao Brasil com o \u00fanico dinheiro que lhes restava. Os irm\u00e3os entraram por Rond\u00f4nia, e em seguida, vieram para Curitiba. Ao chegar aqui, n\u00e3o tinham nem onde morar, ficaram rondando as ruas por alguns dias at\u00e9 que uma Igreja os acolheu, dando-lhes moradia e comida. Eles passaram, assim, a buscar empregos. Uma das meninas conseguiu um emprego como caixa em um mercado, os outros dois seguiam procurando.<\/p>\n\n\n\n

    Inicialmente, eles buscaram a sala 28 pois queriam validar seus diplomas de Ensino M\u00e9dio. Desse modo, no atendimento, eu os encaminhei para o Col\u00e9gio Estadual do Paran\u00e1  ap\u00f3s entrar em contato com esse para ser informada sobre os documentos necess\u00e1rios e os hor\u00e1rios de atendimento.<\/p>\n\n\n\n

    Depois disso, os irm\u00e3os me disseram que tinha interesse em cursar o Ensino Superior no Brasil. Por uma feliz coincid\u00eancia, o per\u00edodo para o pedido de isen\u00e7\u00e3o de taxa de inscri\u00e7\u00e3o no Enem havia se iniciado naquela semana. Logo, n\u00e3o pensei duas vezes antes de lhes falar sobre essa prova, uma vez que eu mesma ingressei na UFPR pelo Enem. Contei a eles que atrav\u00e9s do Enem era poss\u00edvel ingressar em diversos cursos em universidades p\u00fablicas, expliquei-lhes sobre o modelo da prova e seu conte\u00fado. Eles pareceram encantados com essa ideia, e ent\u00e3o, fizemos as inscri\u00e7\u00f5es para o pedido de isen\u00e7\u00e3o de taxa.<\/p>\n\n\n\n

    Por fim, disse-lhes que para a prova era necess\u00e1ria a realiza\u00e7\u00e3o de uma reda\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas. Dei a eles um papel com o endere\u00e7o e hor\u00e1rio do curso de portugu\u00eas gratuito. A fam\u00edlia saiu da sala 28 muito agradecida.<\/p>\n\n\n\n

    Embora tenha ficado muito feliz em realizar aquele atendimento, foi inevit\u00e1vel n\u00e3o pensar que aquela poderia ser a minha fam\u00edlia, poderia ter sido eu e meus irm\u00e3os. Por uma simples diferen\u00e7a de local de origem, poderia ter sido n\u00f3s. Lembro-me de ter refletido sobre essa quest\u00e3o pela semana toda e sentir-me extremamente grata por tudo aquilo que tenho. At\u00e9 agora, o PMUB tem me ensinado a olhar para vida com outros olhos. Tenho certeza de que levarei esses ensinamentos para sempre comigo.<\/p>\n\n\n\n

    Pedro Abrantes Martins-2017<\/strong> <\/p>\n\n\n\n

    Em abril deste mesmo ano, uma migrante cubana, foi \u00e0 sala 28 em busca de auxilio referente ao processo de revalida\u00e7\u00e3o do Ensino M\u00e9dio que concluiu ainda em seu pa\u00eds natal. Ela relatava que a falta de um diploma restringia suas op\u00e7\u00f5es, deixando-a desempregada, de forma que mal conseguia sobreviver em Curitiba, tampouco auxiliar sua fam\u00edlia \u2014 filho e pais \u2014 que seguem residindo em Cuba. Atrav\u00e9s de trabalho em grupo e troca de informa\u00e7\u00f5es entre os volunt\u00e1rios do projeto, pude encontrar o telefone da Escola Estadual do Paran\u00e1 \u2014 o setor respons\u00e1vel pela revalida\u00e7\u00e3o de estudos estrangeiros \u2014  e contat\u00e1-los. Auxiliei como pude, informado-a acerca dos documentos necess\u00e1rios para que efetuasse o processo, bem como fornecendo meu contato pessoal.<\/p>\n\n\n\n

    A migrante, mais tarde, retornou com seus documentos para que fossem escaneados e levados \u00e0 Escola Estadual do Paran\u00e1 a fim de que desse cabo ao processo. Ela mostrou-se muito agradecida. Contou mais sobre sua fam\u00edlia e especialmente seu filho, que pretende trazer ao Brasil futuramente. Comentou ainda que retornaria ao projeto com ele para introduzir-nos, pois ficou muito encantada com todos os volunt\u00e1rios que a auxiliaram. Alguns dias depois enviei mais uma mensagem a fim de saber sobre o processo, que, de acordo com seu relato, parece ter ocorrido bem.<\/p>\n\n\n\n

    Essa experi\u00eancia foi de longe a mais emocionante do projeto. Foi a primeira vez que tive a oportunidade de auxiliar uma migrante do in\u00edcio ao fim e verificar a alegria que expressava por gestos t\u00e3o simples. A experi\u00eancia como volunt\u00e1rio junto ao Hospitalidades \u00e9 gratificante e muito rica. Pude exercitar meu espanhol, confortar algu\u00e9m que passava por necessidades, al\u00e9m de auxili\u00e1-la em algo que pode melhorar drasticamente sua estadia no Brasil. Espero participar de mais in\u00fameros momentos como esse com o Hospitalidades. \u00c9 maravilhoso experienciar essa gratid\u00e3o m\u00fatua e troca de conhecimentos enriquecedora que minhas segundas-feiras \u00e0 tarde me proporcionam.<\/p>\n\n\n\n

    Isabela de Oliveira Soares<\/strong><\/p>\n\n\n\n

    Em junho, na semana em que ocorria o mutir\u00e3o do CONARE para as entrevistas de pedido de ref\u00fagio, atendi uma mulher s\u00edria. Ela estava na faculdade pois tinha marcado sua entrevista para aquela tarde, 4 de julho, conforme as instru\u00e7\u00f5es passadas pela Professora Tatyana.<\/p>\n\n\n\n

    No entanto, o atendimento ocorreu justamente pelo fato de que houve algum erro no encaminhamento da sua inscri\u00e7\u00e3o, ou seja, n\u00e3o havia hor\u00e1rio marcado para entrevista, pois o CONARE nunca recebeu as informa\u00e7\u00f5es dela.<\/p>\n\n\n\n

    Diante disso, entrei em contato com o respons\u00e1vel por organizar as inscri\u00e7\u00f5es e fazer o repasse dos hor\u00e1rios das entrevistas. Ele tamb\u00e9m n\u00e3o soube o que poderia ter acontecido, porque realmente as informa\u00e7\u00f5es foram recebidas e marcou-se o hor\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n

    Por fim, ele passou a situa\u00e7\u00e3o para a Professora Tatyana e o representante do CONARE encarregado. O encaminhamento para a situa\u00e7\u00e3o da migrante s\u00edriafoi list\u00e1-la com anteced\u00eancia para o pr\u00f3ximo mutir\u00e3o, que a princ\u00edpio dever\u00e1 ocorrer agora no m\u00eas de agosto, e avis\u00e1-la do in\u00edcio do processo de inscri\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n

    Infelizmente, erros e problemas acontecem, mesmo que na sala 28 todos os dias n\u00f3s trabalhamos para resolv\u00ea-los. Esta experi\u00eancia foi importante, por mais decepcionante e frustrante que tenha sido, pois demonstra que nem sempre as coisas v\u00e3o de acordo com o planejado, e deve-se sempre buscar a melhor sa\u00edda, que atenda \u00e0s exig\u00eancias da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n

    Tamb\u00e9m me mostrou o tamanho do desamparo que estes migrantes enfrentam em nosso sistema brasileiro, a profunda necessidade de conseguir o ref\u00fagio e o impacto sobre suas vidas. Caso ela n\u00e3o consiga fazer esta entrevista em agosto – algo que eu espero que n\u00e3o aconte\u00e7a – s\u00f3 posso imaginar as consequ\u00eancias disso para sua vida e perman\u00eancia em territ\u00f3rio brasileiro.<\/p>\n\n\n\n

    Fico extremamente grata pelas respostas r\u00e1pidas tanto do respons\u00e1vel pelas inscri\u00e7\u00f5es quanto da Professora Tatyana para tentar descobrir o que poderia ter ocorrido de errado no processo da Luna, bem como para j\u00e1 abrir a lista dos interessados no pr\u00f3ximo mutir\u00e3o, a fim de que que ningu\u00e9m fique para tr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n

    <\/p>\n\n\n\n

    <\/p>\n\n\n\n

    <\/p>\n\n\n\n

      <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"

    Relatos dos alunos e alunas que participam e participaram do Projeto Hospitalidade. Relato da extensionista Juliana Scaciota No in\u00edcio, quando entrei para fazer parte do […]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-2723","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sala28.ufpr.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/2723","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sala28.ufpr.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/sala28.ufpr.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sala28.ufpr.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sala28.ufpr.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2723"}],"version-history":[{"count":23,"href":"https:\/\/sala28.ufpr.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/2723\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3242,"href":"https:\/\/sala28.ufpr.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/2723\/revisions\/3242"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sala28.ufpr.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2723"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}