rfamiliar.conare@mj.gov.br<\/a>, a tradu\u00e7\u00e3o de alguns documentos necess\u00e1rios e a reuni\u00e3o de toda a documenta\u00e7\u00e3o comprobat\u00f3ria de v\u00ednculo familiar e depend\u00eancia econ\u00f4mica relevante para o caso. Durante esse atendimento tivemos in\u00fameras d\u00favidas, pois esse foi o primeiro caso de Reuni\u00e3o Familiar atendido no Projeto.<\/p>\n\n\n\nPara tentar chegar a uma solu\u00e7\u00e3o n\u00f3s conversamos com a Professora Tatyana Friedrich, que \u00e9 a coordenadora do programa, entramos em contato com a Embaixada do pa\u00eds no Brasil, pesquisamos sobre o assunto no site do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, depois desse processo n\u00f3s conversamos muito e conseguimos juntar toda a documenta\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria ao formul\u00e1rio do pedido em um procedimento que durou mais de um m\u00eas, e que ainda n\u00e3o foi completamente resolvido, pois ainda o pedido ainda n\u00e3o foi aprovado e a esposa desse congol\u00eas ainda n\u00e3o veio para o Brasil.<\/p>\n\n\n\n
Estou no in\u00edcio da minha experi\u00eancia nesse projeto, como disse no in\u00edcio deste relato, me voluntariei em maio e sinto que foi uma das melhores iniciativas que tomei na faculdade. No “Hospitalidade” eu fiz amigos novos, me aproximei mais de colegas de turma que tamb\u00e9m s\u00e3o extensionistas, venci barreiras, como a timidez, aprendi muito sobre a cultura de diversos pa\u00edses conversando com cubanos, venezuelanos, haitianos, s\u00edrios, essa experi\u00eancia eu sinto que n\u00e3o conseguiria em outro lugar. Em um dos meus plant\u00f5es eu ajudei um colega tamb\u00e9m do direito com um documento que ele precisava com urg\u00eancia, n\u00f3s conseguimos o tal documento, e eu recebi um abra\u00e7o t\u00e3o feliz, t\u00e3o sincero, que mudou o meu dia. O que fica s\u00e3o esses sorrisos e abra\u00e7os e agradecimentos, fica tamb\u00e9m a tristeza de ter cometido um erro pequeno e impactante, como o do venezuelano, que contei aqui e de n\u00e3o conseguir um recurso, e fica tamb\u00e9m a esperan\u00e7a, de conseguir fazer cada vez mais por mais pessoas.<\/p>\n\n\n\n
Relato da extensionista Fl\u00e1via Roman<\/strong><\/p>\n\n\n\nVivemos atualmente em um contexto de globaliza\u00e7\u00e3o e aproxima\u00e7\u00e3o de fronteiras. Cada vez mais, em meio a um mundo globalizado acentuam-se os fluxos de informa\u00e7\u00f5es e de pessoas e a quest\u00e3o migrat\u00f3ria ganha cada vez mais import\u00e2ncia e est\u00e1 diretamente atrelada a quest\u00e3o dos direitos humanos. O Brasil se insere nesse contexto como potencial receptor de migrantes, que buscam uma melhor qualidade de vida, pelos mais diversos motivos, sejam estes o ref\u00fagio, a acolhida humanit\u00e1ria ou a simples busca por um recome\u00e7o atrav\u00e9s do trabalho ou do estudo.<\/p>\n\n\n\n
No entanto, quando os migrantes chegam ao pa\u00eds, se veem de frente com uma s\u00e9rie de desafios, como o preconceito, a barreira cultural, principalmente da l\u00edngua, a necessidade de documentos, a busca por moradia e por emprego, al\u00e9m dos mais diversos problemas do dia a dia. Desde quest\u00f5es simples \u00e0s mais complexas precisam ser lidadas e os migrantes se deparam com a falta de informa\u00e7\u00e3o e a falta de preparo da sociedade, sobretudo das institui\u00e7\u00f5es do Estado, para lidar com esses problemas.<\/p>\n\n\n\n
E \u00e9 nesse contexto que se constr\u00f3i o Projeto Hospitalidade, buscando nas mais diversas frentes dar o apoio necess\u00e1rio para a acolhida dos migrantes, que muitas vezes se veem sem sa\u00edda. Os volunt\u00e1rios do Direito lidam dos uma variedade conflitos.. Sejam problemas no trabalho, problemas com documenta\u00e7\u00e3o, a falta de tato das institui\u00e7\u00f5es estatais n\u00e3o preparadas para lidar com a migra\u00e7\u00e3o, ou a busca pelo ingresso na universidade ou a revalida\u00e7\u00e3o de um diploma daqueles que j\u00e1 possuem qualifica\u00e7\u00e3o, dentre outras, as mais diversas quest\u00f5es s\u00e3o trazidas ao projeto na frente do Direito<\/p>\n\n\n\n
No Hospitalidade a quest\u00e3o com que mais se lida \u00e9 a falta de informa\u00e7\u00e3o, seja pela dificuldade de acesso ou simplesmente porque os migrantes n\u00e3o conseguem entender aquilo que lhes \u00e9 passado, e nosso papel \u00e9 encontrar junto deles uma solu\u00e7\u00e3o, o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. Isso porque as quest\u00f5es trazidas s\u00e3o na maioria das vezes indispens\u00e1veis para que o migrante possa simplesmente conduzir sua vida.<\/p>\n\n\n\n
No projeto aprendemos a lidar com as adversidades, a lidar com pessoas dos mais diferentes contextos, a nos comunicar \u2013 em todas as l\u00ednguas poss\u00edveis. Somos facilitadores, professores, ouvintes, conselheiros e muitas vezes a \u00faltima esperan\u00e7a dos migrantes que nos procuram. Ao mesmo tempo nos deparamos com li\u00e7\u00f5es de vida e hist\u00f3rias de supera\u00e7\u00e3o, e a maior gratifica\u00e7\u00e3o \u00e9 enxergar como a solu\u00e7\u00e3o do problema trazido afeta diretamente e de forma positiva a vida de uma pessoa que simplesmente busca uma exist\u00eancia digna.<\/p>\n\n\n\n
Relato da extensionista Carolina Pedroso<\/strong><\/p>\n\n\n\nO Projeto Hospitalidade, desenvolvido na Universidade Federal do Paran\u00e1, presta atendimento aos migrantes e refugiados que escolheram o Brasil para recome\u00e7ar suas vidas. Ao participar de um programa que tem por objetivo auxiliar pessoas que se encontram nas mais diversas situa\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade, nos deparamos com hist\u00f3rias marcantes que servem de incentivo para continuarmos nessa caminhada.<\/p>\n\n\n\n
Nem sempre \u00e9 f\u00e1cil. \u00c9 preciso lidar com muita burocracia, informa\u00e7\u00f5es desencontradas e, principalmente, falta de empatia pelo pr\u00f3ximo.<\/p>\n\n\n\n
Os atendimentos s\u00e3o sobre os mais diversos casos: pessoas procurando emprego ou um lugar para ficar, pois n\u00e3o tem moradia; outros desejam voltar a estudar, seja cursando o ensino m\u00e9dio, uma faculdade ou apenas precisam revalidar um diploma obtido no exterior (processo longo e dif\u00edcil de ser enfrentado). Mas eu gostaria de falar especificamente sobre os casos que mais me chocam: discrimina\u00e7\u00e3o, racismo e maus tratos sofridos por essas pessoas aqui na cidade de Curitiba, atos que sejam perpetrados pela sociedade de forma geral ou no \u00e2mbito de trabalho, praticados por seus colegas e empregadores.<\/p>\n\n\n\n
\u00c9 inconceb\u00edvel e inadmiss\u00edvel que algu\u00e9m sofra por ser quem \u00e9, pela cor que tem ou pelo idioma que fala. Esses tipos de casos fogem um pouco do nosso \u00e2mbito de resolu\u00e7\u00e3o dentro do Projeto e s\u00e3o encaminhados aos \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis para que sejam tomadas provid\u00eancias legais em determinadas situa\u00e7\u00f5es. Mesmo que o problema n\u00e3o seja resolvido dentro do Projeto, tenho a sensa\u00e7\u00e3o de \u201cdever cumprido\u201d simplesmente por estar ali doando meu tempo e capacidade de ouvir hist\u00f3rias tristes e desabafos inesquec\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n
Acredito que essa seja a maior li\u00e7\u00e3o que o Projeto Hospitalidade me ensina a cada novo atendimento: nem sempre vamos conseguir resolver os problemas do mundo ou muda-lo para melhor, mas podemos sim, com pequenos gestos, fazer a diferen\u00e7a na vida das pessoas e, quem sabe com isso, sermos respons\u00e1veis por grandes mudan\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n
Relato da extensionista Al\u00e9xia Andrade<\/strong><\/p>\n\n\n\nO n\u00famero de imigrantes tem aumentado no Brasil e a tend\u00eancia \u00e9 de que essa movimenta\u00e7\u00e3o continue. Paralelamente, os pa\u00edses desenvolvidos tamb\u00e9m passam por um per\u00edodo de dificuldade econ\u00f4mica, mas l\u00e1 isso resultou em crescentes restri\u00e7\u00f5es \u00e0 entrada de estrangeiros, colocando o Brasil como uma das rotas na busca por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida. Hoje, h\u00e1 a Lei de Migra\u00e7\u00e3o (PL 2516\/15), em substitui\u00e7\u00e3o ao retrogrado Estatuto do Imigrante, de 1980. Os benef\u00edcios dessa inova\u00e7\u00e3o se situam numa maior prote\u00e7\u00e3o dos direitos humanos, al\u00e9m de promover uma maior dinamicidade e de ser mais moderna, consagrando o Brasil como um centro de acolhida humanit\u00e1ria. Apesar dos avan\u00e7os, atenta-se para a necessidade de outras mudan\u00e7as como, por exemplo, a aus\u00eancia de uma autoridade migrat\u00f3ria civil.<\/p>\n\n\n\n
Diante dos fen\u00f4menos migrat\u00f3rios contempor\u00e2neos, o Brasil se encontra na contram\u00e3o de muitos outros pa\u00edses, primando, na maioria das vezes, por a\u00e7\u00f5es que levam em considera\u00e7\u00e3o o respeito aos direitos humanos e valorizam a no\u00e7\u00e3o de cidadania. De fato, a criminaliza\u00e7\u00e3o da migra\u00e7\u00e3o irregular n\u00e3o se apresenta como um combate \u00e0s causas mas sim aos efeitos da crise de migra\u00e7\u00e3o. O esfor\u00e7o do pa\u00eds deve ser em n\u00e3o marginalizar mais pessoas devido \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o de imigrante irregular. A busca pela regulariza\u00e7\u00e3o migrat\u00f3ria sempre que poss\u00edvel respeita a no\u00e7\u00e3o de migra\u00e7\u00e3o enquanto um direito humano.<\/p>\n\n\n\n
Neste sentido, a atua\u00e7\u00e3o no Projeto Hospitalidades tem me permitido uma vis\u00e3o mais humanit\u00e1ria e concreta da situa\u00e7\u00e3o dos migrantes no pa\u00eds. Os atendimentos, ainda que por vezes sejam obstaculizados pela barreira das diferen\u00e7as entre os idiomas, nos permitem criar v\u00ednculos e acendem uma fagulha em n\u00f3s pelo esfor\u00e7o em cooperar com o problema daquela pessoa. Reflexo do contexto do mundo contempor\u00e2neo, na maioria dos meus atendimentos, encontrei s\u00edrios, venezuelanos e haitianos. Pela necessidade de estabilizarem e reconstru\u00edrem sua vida econ\u00f4mica e social com urg\u00eancia em nosso pa\u00eds, a maior demanda encontrada nos pedidos est\u00e1 relacionada ao processo de revalida\u00e7\u00e3o de diplomas e reingresso. Insta ressaltar que, por vezes, estes pedidos v\u00eam tamb\u00e9m acompanhados de anseios secund\u00e1rios, como necessidade de aprender o portugu\u00eas, de encontrar emprego, e, nas situa\u00e7\u00f5es mais graves, busca por algum abrigo em que possam se hospedar. Nosso trabalho \u00e9 todo em prol da maior emancipa\u00e7\u00e3o poss\u00edvel do migrante em nosso pa\u00eds, para que consiga reconstruir sua vida e construir uma nova realidade social para ele.<\/p>\n\n\n\n
Curial destacar que, devido \u00e0 grande demanda pela revalida\u00e7\u00e3o, a maior problem\u00e1tica not\u00e1vel nos atendimentos decorre desse processo. Neste sentido, ressalta-se que, ainda que haja um procedimento diferenciado para os migrantes com visto humanit\u00e1rio, em sua grande maioria haitianos, e para refugiados, nem sempre esta diferencia\u00e7\u00e3o \u00e9 capaz de superar os problemas causados pela diferen\u00e7a de idiomas, documentos n\u00e3o encontrados ou n\u00e3o compat\u00edveis diretamente com a sistem\u00e1tica da burocratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, al\u00e9m do valor cobrado quando n\u00e3o aprovada a isen\u00e7\u00e3o de taxas devido a insufici\u00eancia de recursos. Diante destas dificuldades, nos vemos imobilizados perante toda uma burocracia e do lapso temporal exigido pelo processo. Neste particular, frisa-se a import\u00e2ncia do preenchimento correto das tabelas de controle e das fichas de informa\u00e7\u00f5es com o m\u00e1ximo de detalhes poss\u00edvel para permitir um rendimento m\u00e1ximo dos atendimentos.<\/p>\n\n\n\n
Por fim, mister sobrelevar o crescimento pessoal que o projeto tem me acrescido enquanto ser humano. A grande li\u00e7\u00e3o que se tira da conviv\u00eancia com essas pessoas e suas dificuldades \u00e9 que, acima de qualquer fronteira e nacionalidade, somos todos humanos, trocando experi\u00eancias e em busca de um mundo melhor.<\/p>\n\n\n\n
Relato do extensionista Douglas Magalh\u00e3es<\/strong><\/p>\n\n\n\nDesde Abril de 2017 eu fa\u00e7o parte do Projeto Migra\u00e7\u00e3o, Ref\u00fagio e Hospitalidade ou simplesmente Hospitalidades. L\u00e1 n\u00f3s atendemos refugiados e migrantes com visto humanit\u00e1rio que chegam ao Brasil e encontram dificuldades de adapta\u00e7\u00e3o. Nosso trabalho se concentra em quest\u00f5es burocr\u00e1ticas, como a revalida\u00e7\u00e3o de diplomas, o reingresso no ensino superior e o acompanhamento da concess\u00e3o de ref\u00fagio, entre outras coisas.<\/p>\n\n\n\n
Neste per\u00edodo em que tenho trabalhado no Hospitalidades, estive diante de v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es diferentes, mas sem d\u00favida as que mais me marcaram foram aquelas em que os refugiados buscavam maneiras de reconstruir suas vidas. \u00c9 o caso de pessoas que faziam faculdade nos seus pa\u00edses de origem e que gostariam de seguir estudando, o que podem fazer atrav\u00e9s do reingresso, que \u00e9 um mecanismo na UFPR que d\u00e1 a oportunidade a refugiados que tiveram seus estudos interrompidos pela fuga para que ingressem num curso equivalente na UFPR e d\u00eaem sequ\u00eancia nos estudos. Tamb\u00e9m \u00e9 o caso de pessoas que j\u00e1 s\u00e3o formadas nos seus pa\u00edses de origem e que buscam a revalida\u00e7\u00e3o dos seus diplomas para que possam seguir sua vida acad\u00eamica ou conseguir um emprego.<\/p>\n\n\n\n
Este tipo de situa\u00e7\u00e3o me marca de maneira especial, porque contrasta com uma realidade que eu vivo. Assim como eu, essas pessoas viviam em torno da Universidade e de seus estudos, sua vida e seu futuro dependiam diretamente da sua forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica. E de repente tudo isso se perdeu, pois essas pessoas s\u00e3o for\u00e7adas a fugir de seus pa\u00edses e abandonar seus estudos, assim como tudo que faz parte de suas vidas. Para al\u00e9m de toda a dificuldade de fugir, de todas as situa\u00e7\u00f5es desumanas pelas quais algumas dessas pessoas passam na fuga, as dificuldades de se adaptar no Brasil, os preconceitos, et cetera, a dificuldade de voltar a estudar me faz sentir de maneira mais clara a dificuldade dos refugiados.<\/p>\n\n\n\n
Isso porque essa situa\u00e7\u00e3o certamente faria parte da minha vida se quem estivesse do outro lado da mesa fosse, se eu fosse um refugiado, a volta aos estudos seria a \u00fanica maneira de ter de volta a vida que tenho. Por isso, sempre que conseguimos ajudar uma pessoa a voltar aos estudos na gradua\u00e7\u00e3o, ou a revalidar seu diploma, ou ainda a ingressar na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, sinto que estou ajudando a fazer por algu\u00e9m o que gostaria que algu\u00e9m fizesse por mim se estivesse naquela situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n
Relato da extensionista G\u00e9ssica Santos<\/strong><\/p>\n\n\n\nParticipar do projeto hospitalidade \u00e9 participar da vida de refugiados e imigrantes que est\u00e3o passando por um momento de muitas dificuldades. Nesse sentido, cada hist\u00f3ria e cada experi\u00eancia se torna muito tocante para n\u00f3s, atendentes, que buscamos ao m\u00e1ximo ajudar cada um. Um dos atendimentos que mais me marcou foi um caso de um haitiano que estava morando na rua.<\/p>\n\n\n\n
Breve descri\u00e7\u00e3o do atendimento:<\/p>\n\n\n\n
O haitiano chegou para o atendimento pedindo algum lugar para morar. Logo, fiz o cadastro dele para guardar algumas informa\u00e7\u00f5es. Antes dele ir para o atendimento, ele foi para o Minist\u00e9rio do Trabalho. Supostamente ele havia ido l\u00e1 para procurar algum emprego, e foi encaminhado para o projeto porque ele n\u00e3o tinha comprovante de resid\u00eancia. Ele j\u00e1 estava no Brasil desde 2013, fiquei imaginado o que poderia ter acontecido na vida dele desde que chegou ao Brasil pelo fato de estar morando na rua.<\/p>\n\n\n\n
Logo, eu e a Mariana, que est\u00e1vamos cuidando do caso, procuramos na internet os contatos dos lugares que abrigam estrangeiros em Curitiba, inclusive moradores de rua. Ele j\u00e1 havia passado por alguns lugares que pesquisamos, e n\u00e3o aceitaram que ele voltasse. Ligamos para um t\u00e9cnico em assist\u00eancia social, e tamb\u00e9m n\u00e3o poderiam fazer nada por ele.<\/p>\n\n\n\n
N\u00e3o sab\u00edamos mais o que fazer. A \u00fanica coisa que ele queria era trabalhar, mas n\u00e3o podia porque precisava de uma resid\u00eancia. Olhei para ele, minha vontade era de chorar por n\u00e3o conseguir ter feito mais nada para ele, e disse que infelizmente n\u00e3o poder\u00edamos ajud\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n
Infelizmente, esse caso n\u00e3o teve resolu\u00e7\u00e3o. Apesar do nosso projeto ter um grande suporte para atender as demandas, muitos refugiados ainda encontram muitas dificuldades de se adaptarem no Brasil.<\/p>\n\n\n\n
Assim sendo, espero que o nosso projeto cres\u00e7a ainda mais para que possamos ajudar majoritariamente a condi\u00e7\u00e3o de sobreviv\u00eancia desses imigrantes e refugiados em Curitiba.<\/p>\n\n\n\n
Relato da extensionista Ana Luiza Carvalho<\/strong><\/p>\n\n\n\nBreve descri\u00e7\u00e3o do atendimento.<\/p>\n\n\n\n
Um jovem haitiano que chegara ao Brasil h\u00e1 poucos meses, traz reclama\u00e7\u00f5es sobre seu chefe e a forma como era tratado por este.<\/p>\n\n\n\n
Principais problemas.<\/p>\n\n\n\n
Ele come\u00e7ou a trabalhar em uma banca de verduras em dezembro de 2016, sendo prometido a ele vale alimenta\u00e7\u00e3o, vale transporte e sal\u00e1rio. Na \u00e9poca, ele ainda estava come\u00e7ando a falar portugu\u00eas e n\u00e3o foi firmado nenhum contrato. Apenas em fevereiro de 2017 \u00e9 que foi assinado um contrato estabelecendo o valor do sal\u00e1rio. Por\u00e9m, o chefe decidiu que n\u00e3o pagaria mais o vale alimenta\u00e7\u00e3o. Ele tentou conversar com o chefe e este simplesmente afirmou que s\u00f3 pagaria o sal\u00e1rio e o vale transporte. O migrante reclamou tamb\u00e9m da forma como era tratado. O gerente sempre fora desrespeitoso, dizendo que ele deveria sempre falar com ele com a cabe\u00e7a baixa e nunca poderia olhar em seus olhos. Al\u00e9m disso, o jovem pediu um dia de folga para ir ao m\u00e9dico porque estava sentindo dores no t\u00f3rax. Foi liberado, mas o m\u00e9dico pediu que ele tirasse mais um dia para retornar ao consult\u00f3rio. Quando ele pede ao chefe mais um dia de folga ele n\u00e3o permite e fala que est\u00e1 demitido, n\u00e3o precisaria mais voltar na banca de verduras. Ele vai ao m\u00e9dico e conta a situa\u00e7\u00e3o, esse m\u00e9dico conhecia o projeto e nos indicou.<\/p>\n\n\n\n
Caminho da solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n
Pedi ajuda para a professora Josiane para saber quais seriam os direitos do jovem no \u00e2mbito trabalhista. Ela disse que o chefe realmente n\u00e3o precisaria pagar o vale alimenta\u00e7\u00e3o, mas que n\u00e3o poderia demiti-lo pelo motivo m\u00e9dico. Juntando a isso a quest\u00e3o de como o migrante era discriminado, poderia ser aberto um processo trabalhista. Pedimos ajuda no N\u00facleo de Pr\u00e1tica Jur\u00eddica da UFPR, mas eles j\u00e1 tinham entrado em f\u00e9rias e s\u00f3 seria formado um novo grupo de alunos que trabalhariam com a \u00e1rea trabalhista no fim de agosto.<\/p>\n\n\n\n
Encaminhamento<\/p>\n\n\n\n
Infelizmente, por ora, o caso desse ovem ficou sem solu\u00e7\u00e3o. Pedimos que ele retornasse em agosto para resolver essa quest\u00e3o. Tamb\u00e9m dissemos que ele poderia ir at\u00e9 a Justi\u00e7a do Trabalho e j\u00e1 iniciar o processo. Caso o NPJ volte a atuar antes do previsto entraremos em contato com ele para que ele venha at\u00e9 n\u00f3s e ent\u00e3o possamos concluir o atendimento.<\/p>\n\n\n\n
E voc\u00ea?<\/p>\n\n\n\n
Depois de entrar em contato com essa situa\u00e7\u00e3o aprendi que nem sempre a gente consegue atingir nossos objetivos. Me senti um pouco impotente por n\u00e3o ter mais nada que eu pudesse fazer para resolver o problema. E mesmo com esse sentimento consigo perceber a grande import\u00e2ncia do projeto. Se n\u00f3s n\u00e3o exist\u00edssemos, o migrante, provavelmente, n\u00e3o teria nenhum tipo de ajuda, ficaria completamente desinformado sobre seus direitos. Al\u00e9m disso, iniciativas como o Hospitalidade s\u00e3o respons\u00e1veis por mudar a forma como as pessoas veem os imigrantes e refugiados. N\u00f3s, que participamos do projeto, temos o dever de transformar a vis\u00e3o discriminat\u00f3ria que ainda existe na nossa sociedade. S\u00e3o situa\u00e7\u00f5es assim que fazem com que a gente valorize todas as oportunidades que temos e ainda teremos.<\/p>\n\n\n\n
Relato da extensionista Laura Hartmann<\/strong><\/p>\n\n\n\nUm migrante nos procurou com a inten\u00e7\u00e3o de mudar seu visto tempor\u00e1rio, de estudante (sem poder realizar trabalho remunerado), para um visto permanente. Esse visto tempor\u00e1rio sempre era renovado, pelos quatro anos em que o migrante, de Angola, est\u00e1 no Brasil. Mas ele queria um visto permanente para poder entrar e sair do Brasil: sua perspectiva \u2013 de m\u00e9dio\/longo prazo \u2013 era voltar pra Angola (segundo ele, onde ele teria mais oportunidades), l\u00e1 ter seu pr\u00f3prio neg\u00f3cio na agropecu\u00e1ria e ent\u00e3o vir ao Brasil regularmente para tratar de neg\u00f3cios. Na verdade, por ter vindo pelo Programa de Estudantes-Conv\u00eanio de Gradua\u00e7\u00e3o (PEC-G), ele \u00e9 obrigado mesmo a retornar ao seu pa\u00eds de origem para l\u00e1 contribuir na \u00e1rea na qual se graduou.<\/p>\n\n\n\n
A principal quest\u00e3o era, portanto, a mudan\u00e7a de visto. No caso desse rapaz angolano ter apenas o visto tempor\u00e1rio poderia dificultar seu plano de ir e vir de Angola ao Brasil, tornando esse processo mais lento e burocr\u00e1tico, que teria de ser feito a cada viagem. Al\u00e9m disso, seu visto de estudante n\u00e3o lhe permite trabalhar no Brasil.<\/p>\n\n\n\n
O angolano, ciente da nova Lei de Migra\u00e7\u00e3o (Lei n\u00ba 13.445\/2017), procurou o nosso projeto para questionar sobre o que essa lei estabelece a respeito do visto permanente: o problema \u00e9 que a lei n\u00e3o trata disso. Existem, de acordo com a nova lei que entra em vigor neste ano, apenas cinco tipos de visto: de visita, tempor\u00e1rio, diplom\u00e1tico, oficial e de cortesia. De qualquer maneira, mesmo de acordo com a lei antiga (o Estatuto do Estrangeiro, Lei n. 6.815\/1980), o visto permanente \u201cpoder\u00e1 ser concedido ao estrangeiro que pretenda se fixar definitivamente no Brasil\u201d \u2013 o que, logo se percebe, n\u00e3o era, na verdade, a inten\u00e7\u00e3o do angolano (sua inten\u00e7\u00e3o, pelo que ele nos disse, era fixar-se em Angola e vir regularmente ao Brasil). Al\u00e9m disso, h\u00e1 especificidades relativas a quais estrangeiros poderiam requerer o visto permanente (por exemplo, ser c\u00f4njuge de brasileiro, ter prole brasileira, etc.), crit\u00e9rios que o angolano n\u00e3o satisfazia.<\/p>\n\n\n\n
Quanto \u00e0 possibilidade da mudan\u00e7a de visto tempor\u00e1rio de estudante para visto tempor\u00e1rio de trabalho, como o migrante tinha vindo ao Brasil pelo PEC-G \u2013 um programa focado na gradua\u00e7\u00e3o de estudantes estrangeiros \u2013, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel transformar seu visto em visto de trabalho, de acordo com a Resolu\u00e7\u00e3o Normativa n\u00ba 124 do Conselho Nacional de Imigra\u00e7\u00e3o (CNIg).<\/p>\n\n\n\n
Ap\u00f3s essa consulta \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o, repassamos essas informa\u00e7\u00f5es ao rapaz. Na verdade, por mais que n\u00e3o lhe seja poss\u00edvel mudar de visto, ele ainda poder\u00e1 concretizar seus planos, mesmo sem o visto permanente. Para retornar ao Brasil e ficar brevemente por aqui, ele poder\u00e1 obter, por exemplo, um visto de visita.<\/p>\n\n\n\n
Para mim, o que de melhor p\u00f4de ser extra\u00eddo dessa experi\u00eancia foi, justamente, conhecer o migrante \u2013 saber o que ele faz aqui, conhecer sua vis\u00e3o, suas aspira\u00e7\u00f5es… E, do ponto de vista acad\u00eamico, perceber que o conhecimento que parece relativamente claro e simples ao ser abordado em sala de aula precisa ser adaptado a um contexto real, muito mais complexo.<\/p>\n\n\n\n
Relato do extensionista Christian Douglas da Silva Costa<\/strong><\/p>\n\n\n\nEntre os casos que mais me marcaram durante os atendimentos, posso destacar a situa\u00e7\u00e3o de um refugiado proveniente da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo que buscou o aux\u00edlio do Projeto para formular um pedido de reuni\u00e3o familiar perante o Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, com o objetivo de trazer sua esposa para o Brasil, casados por instrumento de procura\u00e7\u00e3o desde mar\u00e7o de 2017. Contudo, as dificuldades come\u00e7aram a aparecer.<\/p>\n\n\n\n
Uma das dificuldades foi a excessiva burocracia exigida para a formula\u00e7\u00e3o do pedido. A documenta\u00e7\u00e3o solicitada envolvia a documenta\u00e7\u00e3o pessoal do chamante (refugiado que solicita a reuni\u00e3o familiar) e da chamante (no caso, a esposa que se beneficiar\u00e1 do pedido), o que t\u00ednhamos \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m se fazia necess\u00e1rio documentos espec\u00edficos, como a certid\u00e3o de casamento original, tradu\u00e7\u00e3o da certid\u00e3o devidamente autenticada, declara\u00e7\u00e3o de subsist\u00eancia, holerites, extratos banc\u00e1rios, enfim, uma grande lista de coisas que muitas vezes s\u00e3o inacess\u00edveis para n\u00f3s, brasileiros, e que para o refugiado se torna ainda mais complicado conseguir. Outro problema foi o desencontro de informa\u00e7\u00f5es fornecidas pelos servidores do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e os instrumentos normativos sobre os requisitos do pedido, gerando inseguran\u00e7a e incerteza. Ainda, o site para o cadastro e protocolo eletr\u00f4nico do pedido contava com um sistema defeituoso, que s\u00f3 foi resolvido ap\u00f3s contatos por telefone para o setor de TI do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n
Na data de 5 de julho de 2017, finalmente foi poss\u00edvel realizar o protocolo do pedido. Ainda faltam alguns documentos que ser\u00e3o anexados ao protocolo posteriormente e que ainda estamos conseguindo, como passaporte da chamada, carta de justificativa entre outros, uma vez que o sistema n\u00e3o oferece muitas op\u00e7\u00f5es para discorrer sobre a reuni\u00e3o familiar, fornecendo apenas um modelo de formul\u00e1rio a ser anexado.<\/p>\n\n\n\n
A experi\u00eancia como volunt\u00e1rio no Projeto Hospitalidade da Universidade Federal do Paran\u00e1 vem sendo respons\u00e1vel por me proporcionar momentos \u00fanicos e de grande estima. Tive a oportunidades de lidar com casos mais simples at\u00e9 situa\u00e7\u00f5es complexas como a mencionada, que exigem de qualquer atendente no plant\u00e3o: disposi\u00e7\u00e3o, seja para explicar quantas vezes for necess\u00e1rio para o refugiado, ligar para pessoas desconhecidas, mandar diversos e-mails ou redigir um texto, bem como exige empatia, tendo consci\u00eancia do dever c\u00edvico de se colocar no lugar do pr\u00f3ximo, na busca de uma sociedade mais solid\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n
Relato da extensionista Val\u00e9ria Ribeiro<\/strong><\/p>\n\n\n\n \u201cSobre todos os casos que j\u00e1 passaram por mim no Hospitalidades, \u00e9 dif\u00edcil escolher um que tenha sido o mais marcante, afinal a maioria das pessoas que vem at\u00e9 o projeto encontra-se em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade em um pa\u00eds com a l\u00edngua e a cultura completamente diferente daquelas com as quais est\u00e3o habituadas. Ent\u00e3o vou falar um pouco dos casos que contabilizam parte da maioria dos atendimentos do nosso projeto: a revalida\u00e7\u00e3o de diploma de curso superior feito no exterior. Acho realmente lament\u00e1vel que em nosso pa\u00eds seja t\u00e3o dif\u00edcil revalidar um diploma, nesse processo s\u00e3o impostos v\u00e1rios obst\u00e1culos para aqueles que pretendem reaproveitar em territ\u00f3rio nacional aquilo que estudaram no exterior, al\u00e9m da obvia barreira da l\u00edngua, h\u00e1 dificuldades na hora da inscri\u00e7\u00e3o, uma excessiva burocratiza\u00e7\u00e3o na exig\u00eancia de documentos, n\u00e3o levando em conta que muitas pessoas, por serem refugiadas, tiveram que sair \u00e0s pressas de sua terra natal porque corriam risco de vida, o conte\u00fado da prova que s\u00f3 \u00e9 posto em edital poucas semanas antes da prova, quest\u00f5es que nem sempre s\u00e3o razo\u00e1veis, o curto prazo para a inscri\u00e7\u00e3o, entre outros pontos. Assim, al\u00e9m de uma m\u00e3o de obra qualificada n\u00e3o ser aproveitada, essas pessoas, que possuem uma forma\u00e7\u00e3o superior, e muitas vezes, inclusive, tem reconhecimento internacional, acabam sendo obrigadas a trabalharem em cargos que n\u00e3o correspondem a sua forma\u00e7\u00e3o e que podem at\u00e9 mesmo causar um impacto psicol\u00f3gico negativo. Por exemplo, um m\u00e9dico s\u00edrio que possu\u00ed reconhecimento internacional, mas como n\u00e3o conseguiu revalidar o seu diploma acabou tendo que trabalhar como faxineiro em um posto de sa\u00fade, vendo diariamente, outras pessoas exercerem a sua fun\u00e7\u00e3o em atendimentos di\u00e1rios, o que dependendo do atendimento em quest\u00e3o ele poderia realizar de uma maneira melhor devido a sua especializa\u00e7\u00e3o. Entretanto, devido a atua\u00e7\u00e3o do nosso projeto, j\u00e1 foram conseguidas v\u00e1rias melhorias no processo de revalida\u00e7\u00e3o, (embora alguns problemas permane\u00e7am) como a flexibiliza\u00e7\u00e3o da documenta\u00e7\u00e3o mediante justificativa, a possibilidade de isen\u00e7\u00e3o de taxa e a abertura de um edital no meio do ano (o que geralmente s\u00f3 ocorre uma vez, no final do ano). Pessoalmente, antes de trabalhar no projeto, eu n\u00e3o sabia que existiam tantas dificuldades para se revalidar um diploma, o que afetou a minha perspectiva de ensino superior em outros pa\u00edses, tamb\u00e9m \u00e9 triste ver como se perde tanto por quest\u00f5es burocr\u00e1ticas, todos os migrantes para os quais a revalida\u00e7\u00e3o ajudaria a obter uma grande melhora de qualidade de vida terem essa oportunidade negada. Apesar de tudo, \u00e9 muito gratificante quando se v\u00ea que um dos migrantes que passaram pelo projeto consegue completar o processo de revalida\u00e7\u00e3o e ter seu diploma validado no Brasil. Quanto a outros aspectos do programa, \u00e9 sempre impactante ouvir hist\u00f3rias de pessoas que tiveram que fugir do seu pr\u00f3prio pa\u00eds, e possuem uma cultura e hist\u00f3ria totalmente daquela que estou a costumada a vivenciar no meu dia a dia, mas esse choque de realidade \u00e9 bom para sair da minha bolha pessoal e da bolha que \u00e9 a realidade da vida na universidade em que \u00e9 e ver que existem problemas muito maiores no mundo.\u201d<\/p>\n\n\n\n
Relato da extensionista Suzana Silva<\/strong><\/p>\n\n\n\nUma mulher s\u00edria de 58 anos, formada na Escola de Forma\u00e7\u00e3o M\u00e9dica de Moscou em Assist\u00eancia m\u00e9dica obst\u00e9trica, falante de quatro l\u00ednguas das quais o ingl\u00eas \u00e9 o mais utilizado aqui, chegou ao Projeto e conquistou a simpatia de todos. Os motivos que a trouxeram ao Brasil n\u00e3o foram agrad\u00e1veis, ela veio da S\u00edria por medo da guerra que se alastra cada vez mais pelo pa\u00eds e que j\u00e1 matou muitas pessoas.<\/p>\n\n\n\n
Apesar da extensa forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica e da rica experi\u00eancia profissional e cultural, ela veio ao Brasil com seus filhos sem nada trazer consigo de seus bens materiais. Ainda que em condi\u00e7\u00f5es desfavor\u00e1veis, mant\u00e9m a mesma energia e disposi\u00e7\u00e3o de sempre para recome\u00e7ar do zero, iniciando pelos estudos. Foi esse motivo que nos aproximou em uma tarde de segunda-feira no Projeto. Fiz sua inscri\u00e7\u00e3o para o processo de revalida\u00e7\u00e3o da Universidade Federal do Paran\u00e1.<\/p>\n\n\n\n
N\u00e3o foi t\u00e3o simples encaixar sua forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica aos modelos de cursos de gradua\u00e7\u00e3o oferecidos no nosso pa\u00eds. No Brasil, para atuar de forma independente em cl\u00ednicas e hospitais, \u00e9 necess\u00e1rio ter cursado Medicina e, dependendo da \u00e1rea em que se deseja atuar, ter feito resid\u00eancia m\u00e9dica. Esse processo formativo leva de 6 a 12 anos. J\u00e1 em seu pa\u00eds de origem, a certifica\u00e7\u00e3o de assist\u00eancia m\u00e9dica, no caso dela com foco em obstetr\u00edcia e ginecologia, era suficiente para que pudesse ser dona de sua pr\u00f3pria cl\u00ednica e para que realizasse todos os procedimentos nos hospitais de forma aut\u00f4noma.<\/p>\n\n\n\n
Ela descreve sua atua\u00e7\u00e3o por anos em hospitais de maternidade, nos quais realizou mais de 300 procedimentos de parto. Infelizmente, toda essa experi\u00eancia comprovada n\u00e3o foi suficiente para que pudesse revalidar seu diploma como m\u00e9dica de fato. Ap\u00f3s debatermos junto aos integrantes do projeto qual seria a melhor adequa\u00e7\u00e3o para a validade do diploma, decidimos que a Enfermagem era a grade curricular com maior equival\u00eancia. T\u00ednhamos consci\u00eancia de que n\u00e3o era o ideal em vista do hist\u00f3rico profissional dela, a refugiada, inclusive, menciona que passou por um curso t\u00e9cnico de enfermagem aqui no pa\u00eds, mas que esse era muito raso em conte\u00fado em compara\u00e7\u00e3o ao que ela j\u00e1 havia aprendido e realizado.<\/p>\n\n\n\n
Sempre animada, em contrapartida das dificuldades, a mulher diz estar estudando a l\u00edngua portuguesa e os conte\u00fados program\u00e1ticos das provas exigidas para a revalida\u00e7\u00e3o. Ao final do atendimento e depois de uma longa e prazerosa conversa, entregou um chocolate a cada integrante do projeto, materializando seu sentimento de gratid\u00e3o pelas pessoas que a atenderam e a auxiliaram. Fiquei muito feliz ao ver seu nome na lista de inscri\u00e7\u00f5es homologadas e estou na torcida para que ela se saia muito bem nos exames.<\/p>\n\n\n\n
Cada sorriso e cada gentileza dessa pessoa vencedora de muitas dificuldades simbolizava, para mim, um sentimento genu\u00edno de esperan\u00e7a. Em qualquer lugar, em quaisquer condi\u00e7\u00f5es e em qualquer per\u00edodo da vida, se n\u00e3o perdermos o \u00e2nimo (a alma que nos move), podemos estar sempre alegres e sempre prontos para as jornadas rumo a nossa realiza\u00e7\u00e3o pessoal. E alegria, como me provou essa senhora, n\u00e3o \u00e9 algo que vem do que est\u00e1 l\u00e1 fora ou do lugar que habitamos, mas parte da perspectiva que temos dentro sobre o que nos atinge exteriormente.<\/p>\n\n\n\n
Relato do extensionista Igor Zarnicinski<\/strong><\/p>\n\n\n\n Foi logo nas minhas primeiras semanas de projeto que me ocorreu o caso que mais me marcou. Duas mulheres entraram na sala, com um certo ar desconfiado \u2014 eram duas migrantes haitianas, ambas na segunda metade dos vinte anos. Uma delas estava no Brasil h\u00e1 mais tempo e j\u00e1 compreendia e falava melhor o portugu\u00eas, e veio com sua amiga para ajud\u00e1-la na comunica\u00e7\u00e3o. Essencialmente, a necessidade efetiva de uma delas era obter informa\u00e7\u00f5es sobre o processo de revalida\u00e7\u00e3o de diploma estrangeiro de Ensino Superior; ela queria, tamb\u00e9m, saber o que deveria fazer para se inscrever em um programa de mestrado em sua \u00e1rea de forma\u00e7\u00e3o. Procurei as informa\u00e7\u00f5es pertinentes, fiz o poss\u00edvel para explic\u00e1-las de maneira clara e compreens\u00edvel, e me comprometi a enviar por e-mail explica\u00e7\u00f5es sobre pormenores que n\u00e3o conseguimos encontrar no momento ou que demandavam explica\u00e7\u00e3o por escrito, devido \u00e0 sua complexidade.<\/p>\n\n\n\n
Nessa situa\u00e7\u00e3o concreta, eram tr\u00eas os problemas mais evidentes, ou que me pareceram mais evidentes: para ajudar a migrante, eu teria que primeiro transpor a barreira lingu\u00edstica. Por mais que houvesse uma amiga com ela, uma conversa \u201ctriangular\u201d, com int\u00e9rprete, implicaria em certa \u201cperda na tradu\u00e7\u00e3o\u201d, adicionando um passo a mais na transmiss\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es que j\u00e1 eram complexas por natureza, mesmo para um brasileiro nativo. Havia tamb\u00e9m a barreira da desconfian\u00e7a \u2014 a mulher a quem eu estava atendendo parecia um pouco receosa de fornecer identifica\u00e7\u00e3o e detalhes de sua vida pr\u00f3pria a um completo estranho, por mais que tivesse vindo at\u00e9 a sala do projeto para ser atendida. Por fim, a dificuldade mais \u00f3bvia era a de obten\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias; eu n\u00e3o tinha muita certeza quanto aos pr\u00e9-requisitos para ingresso no programa de mestrado na UFPR, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n
Felizmente, o problema lingu\u00edstico foi resolvido rapidamente, e com satisfatoriedade razo\u00e1vel: como o Haiti \u00e9 uma ex-col\u00f4nia francesa, o franc\u00eas ainda \u00e9 muito estudado por l\u00e1. Eu fiz um ano e meio de aulas de franc\u00eas e, apesar de n\u00e3o falar perfeitamente, consigo entender e me fazer entender. Assim sendo, a maior parte do tempo falei com as duas mulheres nesta l\u00edngua, me voltando \u00e0 que residia h\u00e1 mais tempo no Brasil para que traduzisse frases mais complexas ou palavras mais obscuras. A desconfian\u00e7a inicial n\u00e3o foi de todo vencida, e nem poderia ser, penso, com algu\u00e9m t\u00e3o longe de casa, num local t\u00e3o novo e estranho, mas trilhei o caminho seguro na tentativa de diluir esse sentimento: tratei ambas as migrantes com franqueza e honestidade, mostrando estar fazendo o meu melhor em atend\u00ea-las, e busquei demonstrar sempre boa vontade e solicitude para com os problemas que me foram apresentados. A obten\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es foi feita da maneira usual, com perguntas aos colegas presentes na sala de atendimento ou atrav\u00e9s de buscas na internet.<\/p>\n\n\n\n
Expliquei \u00e0 migrante o procedimento para que ela revalidasse o diploma que possu\u00eda aqui no Brasil, e tamb\u00e9m o procedimento para que ela ingressasse no programa de mestrado da UFPR, em sua \u00e1rea de estudos, que era Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica. Todavia, o \u00faltimo edital que encontramos e que abria processo seletivo para o mestrado em Administra\u00e7\u00e3o tinha como requerimento a realiza\u00e7\u00e3o de uma prova anterior, de n\u00edvel nacional (o \u201cteste ANPAD\u201d). Assim, me comprometi a pesquisar de que se tratava esse teste e enviar as informa\u00e7\u00f5es por e-mail; me comprometi, tamb\u00e9m, a enviar o arquivo PDF do \u00faltimo edital do mestrado para que ela pudesse l\u00ea-lo com calma. Fiz ambas as coisas na semana subsequente, no meu dia de projeto, no intervalo entre atendimentos.<\/p>\n\n\n\n
Como sempre, percebi o quanto \u00e9 dura a vida do migrante: se muitos aspectos da vida no Brasil j\u00e1 s\u00e3o confusos para n\u00f3s, brasileiros, quem dir\u00e1 para essas pessoas que caem aqui de p\u00e1ra-quedas e tem que lidar com toda uma realidade nova? Qu\u00e3o dif\u00edcil n\u00e3o deve ser deixar para tr\u00e1s diplomas, forma\u00e7\u00e3o, fam\u00edlia, amigos, praticamente ter que assumir uma identidade nova? Um ponto positivo dessa experi\u00eancia foi ter percebido a import\u00e2ncia de se aprender novas l\u00ednguas, por\u00e9m \u2014 n\u00e3o fosse por isso, talvez o atendimento n\u00e3o tivesse sido t\u00e3o bem sucedido quanto foi. Ter essas novas possibilidades de comunica\u00e7\u00e3o e de ajudar as pessoas \u00e9 um motivador a continuar estudando e me aprimorando!<\/p>\n\n\n\n
Relato do extensionista Natan Adreis<\/strong><\/p>\n\n\n\nComecei no Projeto Hospitalidades em mar\u00e7o de 2017 e, desde l\u00e1, por mais que tenham se passado apenas quatro meses, j\u00e1 vivenciei muitas situa\u00e7\u00f5es, j\u00e1 conversei com muitos migrantes, conheci um pouco de suas hist\u00f3rias e busquei dar o melhor encaminhamento poss\u00edvel \u00e0s suas demandas.<\/p>\n\n\n\n
Lembro-me bem de dois venezuelanos e uma cubana (os nomes prefiro n\u00e3o mencionar para manter a privacidade) que atendi juntamente com meus colegas da quarta-feira, que estavam buscando a revalida\u00e7\u00e3o de diploma, sendo que eram tanto a cubana quanto os venezuelanos, refugiados no Brasil. Os venezuelanos buscavam revalida\u00e7\u00e3o na \u00e1rea de inform\u00e1tica, e a cubana na \u00e1rea de m\u00fasica. Demos encaminhamento aos pedidos atrav\u00e9s de edital de revalida\u00e7\u00e3o aberto \u00e0 \u00e9poca, mas o que mais me marcou aquele dia foram as hist\u00f3rias que essas tr\u00eas pessoas contaram.<\/p>\n\n\n\n
N\u00e3o \u00e9 muito comum os migrantes se abrirem logo no primeiro encontro, mas com esses tr\u00eas desse dia foi diferente. Apresentaram suas demandas e, enquanto perfaz\u00edamos toda a burocracia do pedido envolvido (escanear documentos, preencher fichas, emitir guias), foram nos contando um pouco de sua hist\u00f3ria e sua jornada para chegar ao Brasil.<\/p>\n\n\n\n
Quanto \u00e0 cubana, lembro-me bem de que nos contou que havia sa\u00eddo \u00e0s pressas de seu pa\u00eds, inclusive tendo que comprar o sil\u00eancio de oficiais do regime, justamente porque estava saindo fugida do regime ditatorial. Contou-nos que passou pelas florestas da Am\u00e9rica Central e tamb\u00e9m pela floresta amaz\u00f4nica (acredito que na Col\u00f4mbia) at\u00e9 chegar ao Brasil, em Manaus. De l\u00e1 at\u00e9 chegar a Curitiba, com certeza passou por dificuldades, como a falta de dinheiro, de habita\u00e7\u00e3o, de um emprego. Estava ali no projeto justamente porque esperava que, tendo revalidado seu diploma de m\u00fasica, conseguisse arranjar um emprego em alguma institui\u00e7\u00e3o de ensino de m\u00fasica na cidade.<\/p>\n\n\n\n
Situa\u00e7\u00e3o similar ocorreu com os venezuelanos. Fugiram de seu pa\u00eds cruzando a fronteira terrestre para o Brasil, chegando tamb\u00e9m a Manaus. L\u00e1, tiveram a infelicidade de serem assaltados. Como n\u00e3o possu\u00edam resid\u00eancia fixa l\u00e1 tamb\u00e9m, os assaltantes levaram documentos, dinheiro, praticamente tudo que tinham. Chegaram at\u00e9 n\u00f3s com um boletim de ocorr\u00eancia, na espera de abonar a necessidade daqueles documentos que haviam sido roubados e, assim como a cubana, aumentar suas chances de conseguir um emprego aqui na cidade.<\/p>\n\n\n\n
O que ficou, e isso consegui sentir em outros atendimentos (j\u00e1 atendi inclusive um haitiano que havia sido v\u00edtima de racismo em seu trabalho), \u00e9 que muitos migrantes encontram dificuldades grandes ao sair de seu pa\u00eds (muitos que atendemos em situa\u00e7\u00e3o de persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, religiosa, ideol\u00f3gica, como esses que mencionei nesse relato), passam por priva\u00e7\u00f5es desumanas na jornada at\u00e9 o Brasil (muitas vezes feita atrav\u00e9s de coiotes, e da pior maneira poss\u00edvel), e encontram grandes dificuldades aqui no Brasil tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n
Passam por viola\u00e7\u00f5es dos direitos mais b\u00e1sicos, necess\u00e1rios \u00e0 exist\u00eancia digna de qualquer ser humano, mas, ainda assim, tem no Brasil a sua esperan\u00e7a de sobreviv\u00eancia, pelo menos at\u00e9 que a situa\u00e7\u00e3o em seu pa\u00eds melhore, pois, e isso deve ser dito, essas pessoas n\u00e3o saem de seus pa\u00edses por lazer ou porque querem. S\u00e3o, em maioria, for\u00e7ados ao deslocamento migrat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n
Justamente por isso, vejo a grande import\u00e2ncia de projetos como o que desenvolvemos no Hospitalidades, onde buscamos possibilitar uma exist\u00eancia mais digna a essas pessoas, j\u00e1 t\u00e3o calejadas das situa\u00e7\u00f5es que vivenciaram. Justamente por tudo isso que posso dizer que estou grato de fazer parte de um projeto que busca, acima de tudo, ajudar pessoas, ajudar seres humanos que s\u00e3o t\u00e3o seres humanos e t\u00e3o dignos de respeito quanto qualquer um de n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n
<\/p>\n\n\n\n
Sofia Elo\u00e1 de Oliveira Souza Bringhenti
<\/strong><\/p>\n\n\n\n- BREVE DESCRI\u00c7\u00c3O DO ATENDIMENTO
Normalmente, quando fico na sala 28 e n\u00e3o \u00e9 \u00e9poca de edital aberto de
Reingresso\/Revalida\u00e7\u00e3o, atendo um ou dois imigrantes que pedem informa\u00e7\u00f5es sobre outros
editais, sejam do MEC ou outro \u00f3rg\u00e3o que trabalhe com imigrantes.
As maiores dificuldades que eu encontro est\u00e3o, muitas vezes, no idioma. Muitas vezes
n\u00e3o consigo compreender o que os imigrantes falam, mesmo sendo em portugu\u00eas, mas n\u00e3o
deixo isso impedir o atendimento.
Na maior parte do tempo, eu fico com o Dr. Luiz Marlo atendendo as demandas
judiciais.<\/li> - PRINCIPAIS PROBLEMAS
Por conta de termos perdido todos os dados dos imigrantes com o v\u00edrus, fica dif\u00edcil
atender um imigrante que j\u00e1 teve uma demanda na sala e que teria os seus dados nos
documentos perdidos.
Muitas vezes, tamb\u00e9m, \u00e9 dif\u00edcil porque n\u00e3o conhe\u00e7o todos os procedimentos com que
trabalhamos na sala. Sinto-me um pouco desorientada com isso, aprender na pr\u00e1tica muitas
vezes me gera inseguran\u00e7a.<\/li> - CAMINHO DA SOLU\u00c7\u00c3O
Acredito que o melhor caminho para solucionar os problemas citados seria difundir
mais informa\u00e7\u00e3o para os volunt\u00e1rios, para evitar uma situa\u00e7\u00e3o de equ\u00edvoco muito grave, j\u00e1
que estamos trabalhando efetivamente com a vida da popula\u00e7\u00e3o que atendemos.<\/li> - ENCAMINHAMENTO
O encaminhamento dos imigrantes \u00e9 muito importante, como disse, porque
trabalhamos efetivamente com a vida das pessoas que atendemos. Temos que tentar sempre
conseguir a solu\u00e7\u00e3o dos problemas que se apresentam, independente da dificuldade.
Nem sempre consegui fazer isso, mais por falta de orienta\u00e7\u00e3o, como aconteceu
recentemente que uma imigrante pediu inscri\u00e7\u00e3o para o Celpe-Bras com intuito de
naturaliza\u00e7\u00e3o, e eu n\u00e3o sabia que n\u00e3o faz\u00edamos isso.<\/li> - E VOC\u00ca?
O projeto \u00e9 enriquecedor culturalmente, estar em contato com diferentes pessoas de
diferentes nacionalidades seria algo impens\u00e1vel fora da UFPR. \u00c9 um projeto que com certeza
est\u00e1 ajudando muito a minha forma\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 como acad\u00eamica, mas como ser humano capaz
de empatia.<\/li><\/ol>\n\n\n\nGeorgia Colleone<\/strong><\/p>\n\n\n\nDesde o in\u00edcio do ano os atendimentos na sala 28 t\u00eam sido um desafio para mim. Sinto sempre uma certa tens\u00e3o e ansiedade toda vez que um migrante entra na sala, e imediatamente come\u00e7o a pensar se serei efetivamente \u00fatil e se saberei informar adequadamente as quest\u00f5es que forem trazidas.<\/p>\n\n\n\n
Algumas pessoas t\u00eam medo de falar em p\u00fablico (a chamada \u201cglossofobia\u201d), enquanto que eu, por outro lado, fico aflita e receosa em prestar atendimentos, um medo que me acompanha desde o in\u00edcio da vida profissional. E, por isso, o trabalho na sala 28 tem sido especialmente desafiador.<\/p>\n\n\n\n
Al\u00e9m disso, tenho consci\u00eancia de que as demandas que chegam at\u00e9 n\u00f3s s\u00e3o sempre urgentes e requerem muita responsabilidade, tendo em vista que estamos lidando com a vida das pessoas que buscam aux\u00edlio no projeto.<\/p>\n\n\n\n
De uma forma geral, a maior parte das situa\u00e7\u00f5es que chegaram at\u00e9 mim foram relativamente simples, quais sejam, aulas de portugu\u00eas, reingresso na universidade, revalida\u00e7\u00e3o de diplomas e interesse no vestibular.<\/p>\n\n\n\n
Contudo, dois atendimentos me marcaram muito. Um deles foi de um rapaz do Egito, que n\u00e3o falava portugu\u00eas e tinha um ingl\u00eas mediano, que pretendia alterar o visto de turista para estudante, mediante ingresso em um curso superior na \u00e1rea de Sistemas de Informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n
Pesquisei muito, consultei colegas do projeto e a prof. Tatyana, e pude inform\u00e1-lo que, de acordo com a Pol\u00edcia Federal, para conseguir um visto de estudante n\u00e3o era necess\u00e1rio ingressar em curso superior, o que seria imposs\u00edvel neste caso em raz\u00e3o do idioma. Ele poderia, ent\u00e3o, cursar aulas de portugu\u00eas, no m\u00ednimo 15 horas por semana, para que obtivesse o visto.<\/p>\n\n\n\n
Depois de solucionado este caso fiquei bastante aliviada, porque me pareceu que o rapaz pensava que eu estivesse j\u00e1 matriculando-o na universidade. Isso me fez refletir como a l\u00edngua \u00e9 uma grande barreira para a comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n
Outro caso que tamb\u00e9m me marcou foi de um venezuelano, que j\u00e1 foi atendido tamb\u00e9m por outros colegas, e que estava em situa\u00e7\u00e3o de rua.<\/p>\n\n\n\n
Verifiquei que os outros volunt\u00e1rios do projeto j\u00e1 tinham dado o devido encaminhamento \u00e0s demandas que ele tinha (como encaminh\u00e1-lo para a FAS, para a defensoria p\u00fablica, etc) e, infelizmente, naquele momento nada pude fazer. Cada atendimento me traz uma reflex\u00e3o diferente, e me faz reconhecer os in\u00fameros privil\u00e9gios que tenho, al\u00e9m de me dar a certeza de que a luta por um mundo menos desigual n\u00e3o pode parar.<\/p>\n\n\n\n
Georgia Colleone<\/strong><\/p>\n\n\n\nDesde o in\u00edcio do ano os atendimentos na sala 28 t\u00eam sido um desafio para mim. Sinto sempre uma certa tens\u00e3o e ansiedade toda vez que um migrante entra na sala, e imediatamente come\u00e7o a pensar se serei efetivamente \u00fatil e se saberei informar adequadamente as quest\u00f5es que forem trazidas.<\/p>\n\n\n\n
Algumas pessoas t\u00eam medo de falar em p\u00fablico (a chamada \u201cglossofobia\u201d), enquanto que eu, por outro lado, fico aflita e receosa em prestar atendimentos, um medo que me acompanha desde o in\u00edcio da vida profissional. E, por isso, o trabalho na sala 28 tem sido especialmente desafiador.<\/p>\n\n\n\n
Al\u00e9m disso, tenho consci\u00eancia de que as demandas que chegam at\u00e9 n\u00f3s s\u00e3o sempre urgentes e requerem muita responsabilidade, tendo em vista que estamos lidando com a vida das pessoas que buscam aux\u00edlio no projeto.<\/p>\n\n\n\n
De uma forma geral, a maior parte das situa\u00e7\u00f5es que chegaram at\u00e9 mim foram relativamente simples, quais sejam, aulas de portugu\u00eas, reingresso na universidade, revalida\u00e7\u00e3o de diplomas e interesse no vestibular.<\/p>\n\n\n\n
Contudo, dois atendimentos me marcaram muito. Um deles foi de um rapaz do Egito, que n\u00e3o falava portugu\u00eas e tinha um ingl\u00eas mediano, que pretendia alterar o visto de turista para estudante, mediante ingresso em um curso superior na \u00e1rea de Sistemas de Informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n
Pesquisei muito, consultei colegas do projeto e a prof. Tatyana, e pude inform\u00e1-lo que, de acordo com a Pol\u00edcia Federal, para conseguir um visto de estudante n\u00e3o era necess\u00e1rio ingressar em curso superior, o que seria imposs\u00edvel neste caso em raz\u00e3o do idioma. Ele poderia, ent\u00e3o, cursar aulas de portugu\u00eas, no m\u00ednimo 15 horas por semana, para que obtivesse o visto.<\/p>\n\n\n\n
Depois de solucionado este caso fiquei bastante aliviada, porque me pareceu que o rapaz pensava que eu estivesse j\u00e1 matriculando-o na universidade. Isso me fez refletir como a l\u00edngua \u00e9 uma grande barreira para a comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n
Outro caso que tamb\u00e9m me marcou foi de um venezuelano, que j\u00e1 foi atendido tamb\u00e9m por outros colegas, e que estava em situa\u00e7\u00e3o de rua.<\/p>\n\n\n\n
Verifiquei que os outros volunt\u00e1rios do projeto j\u00e1 tinham dado o devido encaminhamento \u00e0s demandas que ele tinha (como encaminh\u00e1-lo para a FAS, para a defensoria p\u00fablica, etc) e, infelizmente, naquele momento nada pude fazer. Cada atendimento me traz uma reflex\u00e3o diferente, e me faz reconhecer os in\u00fameros privil\u00e9gios que tenho, al\u00e9m de me dar a certeza de que a luta por um mundo menos desigual n\u00e3o pode parar.<\/p>\n\n\n\n
<\/p>\n\n\n\n
Vin\u00edcius Nascimento<\/strong><\/p>\n\n\n\nConheci o Projeto Ref\u00fagio, Migra\u00e7\u00e3o e Hospitalidade do Programa Pol\u00edtica Migrat\u00f3ria e Universidade Brasileira em janeiro de 2017, quando naquela oportunidade da Semana do Calouro fui apresentado as atividades e a\u00e7\u00f5es realizadas pelo Projeto no Pr\u00e9dio Hist\u00f3rico da UFPR, bem como de toda a atua\u00e7\u00e3o e objetivo de transforma\u00e7\u00e3o social e da garantia da dignidade da pessoa humana para a vida daqueles que desejam construir uma nova fase da sua hist\u00f3ria junto com a sociedade e Estado Brasileiro: os refugiados, ap\u00e1tridas e migrantes.<\/p>\n\n\n\n
Hoje, atuando h\u00e1 6 meses no projeto tive a certeza emp\u00edrica de que sempre podemos auxiliar, ainda que com singelos conhecimentos e recursos, para a transforma\u00e7\u00e3o social e para a altera\u00e7\u00e3o da realidade de diversas pessoas.<\/p>\n\n\n\n
Em minha atua\u00e7\u00e3o no Projeto realizei diversos atendimentos, mas minha principal atividade realizada foi em rela\u00e7\u00e3o ao atendimento de Refugiados que demandavam a emiss\u00e3o dos certificados de profici\u00eancia em l\u00edngua portugues.<\/p>\n\n\n\n
No atendimento dos referidos casos, conclui que h\u00e1 a necessidade de intensificar bem como criar canais de melhor di\u00e1logo entre a Sala 28 e o Projeto Portugu\u00eas Brasileiro para Migra\u00e7\u00e3o Humanit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n
Estabelecer formas de melhorar a integra\u00e7\u00e3o entre ambos projetos, bem como melhorar a forma de di\u00e1logo \u00e9 de suma import\u00e2ncia para o desenvolvimento efetivo das atividades.<\/p>\n\n\n\n
Ter de forma clara quem contatar, bem como onde encaminhar os Refugiados que demandam de atendimento espec\u00edfico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 l\u00edngua portuguesa \u00e9 de suma import\u00e2ncia, pois em alguns casos nem o contato telef\u00f4nico fornecido pelo pr\u00f3prio PBMIH possui conhecimentos ou respostas efetivas para os casos que chegam na Sala 28.<\/p>\n\n\n\n
Reitero meus anseios de auxiliar a Sala 28 Na integra\u00e7\u00e3o e melhora da rela\u00e7\u00e3o com o PBMIH, bem como reitero meus anseios de auxiliar nosso Projeto com aplica\u00e7\u00e3o dos meus singelos conhecimentos jur\u00eddicos, t\u00e9cnicos e referente \u00e0 idiomas e pesquisas, visando assim, realizar ainda mais transforma\u00e7\u00f5es sociais e emp\u00edrica na realidade brasileira..<\/p>\n\n\n\n
Desejo por fim, auxiliar tamb\u00e9m com as quest\u00f5es de m\u00eddias sociais, design, tradu\u00e7\u00e3o de documentos e todas as quest\u00f5es necess\u00e1ria referentes \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o, publica\u00e7\u00e3o e compartilhamento do projeto, objetivando que a Sociedade e especialmente o p\u00fablico-alvo do projeto, conhe\u00e7am as atividades aqui realizadas. Agrade\u00e7o novamente a oportunidade.<\/p>\n\n\n\n
Rubens Novicki Neto -2019<\/strong><\/p>\n\n\n\nParticipo do PMUB h\u00e1 aproximadamente seis meses, e pouqu\u00edssimos dias foram t\u00e3o movimentados como 10\/07, quando uma extraordin\u00e1ria sucess\u00e3o de eventos ocorreu. Tudo encontrava-se dentro da normalidade no atendimento da sala 28, mesmo na minha solid\u00e3o, at\u00e9 que o intempestivo reinou entre uma impress\u00e3o de livro did\u00e1tico e um telefonema da Delegacia da Mulher.<\/p>\n\n\n\n
Quase no final do expediente, apareceu-me uma venezuelana formada em Direito que buscava um guia de estudos para o teste de revalida\u00e7\u00e3o de diploma. Mostrei-a o edital, emprestei a bibliografia da biblioteca e comecei a copiar o livro para ela. Neste instante, tocou o telefone da sala: era uma delegada procurando pela prof. Tatyana e o contato de uma mulher haitiana, que no dia anterior tinha registrado um boletim denunciando viol\u00eancia dom\u00e9stica. Nunca tinha sequer conversado com um delegado, muito menos sobre caso de pol\u00edcia. Por\u00e9m, ao assimilar a urg\u00eancia da situa\u00e7\u00e3o, mantive a calma e busquei melhor compreend\u00ea-la, uma vez a professora n\u00e3o estando presente. Fiz o que estava ao meu alcance e pedi a delegada que aguardasse em linha, roguei paci\u00eancia \u00e0 venezuelana, e contatei a professora por telefone. Prontamente obtendo resposta, ela me disse que tamb\u00e9m n\u00e3o dispunha do contato da mulher, pois compareceu junto a delegacia como tradutora e somente a Casa da Mulher Brasileira disporia do contato. Terminada a chamada, voltei \u00e0 delegada e serenamente repassei as informa\u00e7\u00f5es. Agradecida, ela desligou. Respirei aliviado, at\u00e9 olhar para o rel\u00f3gio, pois estava atrasado para um compromisso na Par\u00f3quia perto de casa. Assim, terminei as c\u00f3pias, entreguei-as a imigrante e, ela infinitamente grata deu-me um sorriso e um sincero obrigado. Cansado e atrasado, encontrei nela um alegre al\u00edvio e rumei \u00e0 Igreja, sabendo que fiz meu melhor.<\/p>\n\n\n\n
Como principal li\u00e7\u00e3o adquiri um senso de propor\u00e7\u00e3o mais sens\u00edvel. A impress\u00e3o do livro parecia-me, \u00e0 primeira vista, banal e fi-la sem cerim\u00f4nias; na perspectiva da venezuelana, ela estava depositando uma grande confian\u00e7a em mim, pois revalidar o diploma era sua esperan\u00e7a de vida nova no Brasil. Em contrapartida, o telefonema da delegada pode ser sido normal e protocolar, enquanto que para mim foi um grande privil\u00e9gio e orgulho ter resolvido, dentro do poss\u00edvel, a situa\u00e7\u00e3o com destreza. No contato com o outro, sempre h\u00e1 um novo ponto de vista a ser descoberto, eis meu aprendizado. <\/p>\n\n\n\n
<\/p>\n\n\n\n
Ana J\u00falia Amaro Miyashiro<\/strong><\/p>\n\n\n\nEstar no PMUB tem sido uma experi\u00eancia muito gratificante. Eu entrei no projeto ap\u00f3s assistir \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o desse na semana do calouro. Achei uma ideia fenomenal e percebi que poderia tirar muitas li\u00e7\u00f5es de uma experi\u00eancia como essa, mas jamais imaginava qu\u00e3o profundas mudan\u00e7as de atitudes diante da vida teria gra\u00e7as ao PMUB.<\/p>\n\n\n\n
Lembro-me, em especial, de tr\u00eas irm\u00e3os venezuelanos que atendi em uma das minhas primeiras semanas do projeto. Eram um garoto e duas garotas. Como eu tenho um irm\u00e3o e uma irm\u00e3, imediatamente, lembrei da minha fam\u00edlia. Eles haviam deixado n\u00e3o s\u00f3 seu pa\u00eds de origem, mas tamb\u00e9m seus pais. Os irm\u00e3os me contaram que, antigamente, eram uma fam\u00edlia de classe m\u00e9dia, estudavam em col\u00e9gios particulares, n\u00e3o lhes faltava nada de essencial. No entanto, com a crise que atingiu a Venezuela, perderam tudo, n\u00e3o tinham nem o que comer.<\/p>\n\n\n\n
Os pais, ent\u00e3o, decidiram envi\u00e1-los ao Brasil com o \u00fanico dinheiro que lhes restava. Os irm\u00e3os entraram por Rond\u00f4nia, e em seguida, vieram para Curitiba. Ao chegar aqui, n\u00e3o tinham nem onde morar, ficaram rondando as ruas por alguns dias at\u00e9 que uma Igreja os acolheu, dando-lhes moradia e comida. Eles passaram, assim, a buscar empregos. Uma das meninas conseguiu um emprego como caixa em um mercado, os outros dois seguiam procurando.<\/p>\n\n\n\n
Inicialmente, eles buscaram a sala 28 pois queriam validar seus diplomas de Ensino M\u00e9dio. Desse modo, no atendimento, eu os encaminhei para o Col\u00e9gio Estadual do Paran\u00e1 ap\u00f3s entrar em contato com esse para ser informada sobre os documentos necess\u00e1rios e os hor\u00e1rios de atendimento.<\/p>\n\n\n\n
Depois disso, os irm\u00e3os me disseram que tinha interesse em cursar o Ensino Superior no Brasil. Por uma feliz coincid\u00eancia, o per\u00edodo para o pedido de isen\u00e7\u00e3o de taxa de inscri\u00e7\u00e3o no Enem havia se iniciado naquela semana. Logo, n\u00e3o pensei duas vezes antes de lhes falar sobre essa prova, uma vez que eu mesma ingressei na UFPR pelo Enem. Contei a eles que atrav\u00e9s do Enem era poss\u00edvel ingressar em diversos cursos em universidades p\u00fablicas, expliquei-lhes sobre o modelo da prova e seu conte\u00fado. Eles pareceram encantados com essa ideia, e ent\u00e3o, fizemos as inscri\u00e7\u00f5es para o pedido de isen\u00e7\u00e3o de taxa.<\/p>\n\n\n\n
Por fim, disse-lhes que para a prova era necess\u00e1ria a realiza\u00e7\u00e3o de uma reda\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas. Dei a eles um papel com o endere\u00e7o e hor\u00e1rio do curso de portugu\u00eas gratuito. A fam\u00edlia saiu da sala 28 muito agradecida.<\/p>\n\n\n\n
Embora tenha ficado muito feliz em realizar aquele atendimento, foi inevit\u00e1vel n\u00e3o pensar que aquela poderia ser a minha fam\u00edlia, poderia ter sido eu e meus irm\u00e3os. Por uma simples diferen\u00e7a de local de origem, poderia ter sido n\u00f3s. Lembro-me de ter refletido sobre essa quest\u00e3o pela semana toda e sentir-me extremamente grata por tudo aquilo que tenho. At\u00e9 agora, o PMUB tem me ensinado a olhar para vida com outros olhos. Tenho certeza de que levarei esses ensinamentos para sempre comigo.<\/p>\n\n\n\n
Pedro Abrantes Martins-2017<\/strong> <\/p>\n\n\n\nEm abril deste mesmo ano, uma migrante cubana, foi \u00e0 sala 28 em busca de auxilio referente ao processo de revalida\u00e7\u00e3o do Ensino M\u00e9dio que concluiu ainda em seu pa\u00eds natal. Ela relatava que a falta de um diploma restringia suas op\u00e7\u00f5es, deixando-a desempregada, de forma que mal conseguia sobreviver em Curitiba, tampouco auxiliar sua fam\u00edlia \u2014 filho e pais \u2014 que seguem residindo em Cuba. Atrav\u00e9s de trabalho em grupo e troca de informa\u00e7\u00f5es entre os volunt\u00e1rios do projeto, pude encontrar o telefone da Escola Estadual do Paran\u00e1 \u2014 o setor respons\u00e1vel pela revalida\u00e7\u00e3o de estudos estrangeiros \u2014 e contat\u00e1-los. Auxiliei como pude, informado-a acerca dos documentos necess\u00e1rios para que efetuasse o processo, bem como fornecendo meu contato pessoal.<\/p>\n\n\n\n
A migrante, mais tarde, retornou com seus documentos para que fossem escaneados e levados \u00e0 Escola Estadual do Paran\u00e1 a fim de que desse cabo ao processo. Ela mostrou-se muito agradecida. Contou mais sobre sua fam\u00edlia e especialmente seu filho, que pretende trazer ao Brasil futuramente. Comentou ainda que retornaria ao projeto com ele para introduzir-nos, pois ficou muito encantada com todos os volunt\u00e1rios que a auxiliaram. Alguns dias depois enviei mais uma mensagem a fim de saber sobre o processo, que, de acordo com seu relato, parece ter ocorrido bem.<\/p>\n\n\n\n
Essa experi\u00eancia foi de longe a mais emocionante do projeto. Foi a primeira vez que tive a oportunidade de auxiliar uma migrante do in\u00edcio ao fim e verificar a alegria que expressava por gestos t\u00e3o simples. A experi\u00eancia como volunt\u00e1rio junto ao Hospitalidades \u00e9 gratificante e muito rica. Pude exercitar meu espanhol, confortar algu\u00e9m que passava por necessidades, al\u00e9m de auxili\u00e1-la em algo que pode melhorar drasticamente sua estadia no Brasil. Espero participar de mais in\u00fameros momentos como esse com o Hospitalidades. \u00c9 maravilhoso experienciar essa gratid\u00e3o m\u00fatua e troca de conhecimentos enriquecedora que minhas segundas-feiras \u00e0 tarde me proporcionam.<\/p>\n\n\n\n
Isabela de Oliveira Soares<\/strong><\/p>\n\n\n\nEm junho, na semana em que ocorria o mutir\u00e3o do CONARE para as entrevistas de pedido de ref\u00fagio, atendi uma mulher s\u00edria. Ela estava na faculdade pois tinha marcado sua entrevista para aquela tarde, 4 de julho, conforme as instru\u00e7\u00f5es passadas pela Professora Tatyana.<\/p>\n\n\n\n
No entanto, o atendimento ocorreu justamente pelo fato de que houve algum erro no encaminhamento da sua inscri\u00e7\u00e3o, ou seja, n\u00e3o havia hor\u00e1rio marcado para entrevista, pois o CONARE nunca recebeu as informa\u00e7\u00f5es dela.<\/p>\n\n\n\n
Diante disso, entrei em contato com o respons\u00e1vel por organizar as inscri\u00e7\u00f5es e fazer o repasse dos hor\u00e1rios das entrevistas. Ele tamb\u00e9m n\u00e3o soube o que poderia ter acontecido, porque realmente as informa\u00e7\u00f5es foram recebidas e marcou-se o hor\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n
Por fim, ele passou a situa\u00e7\u00e3o para a Professora Tatyana e o representante do CONARE encarregado. O encaminhamento para a situa\u00e7\u00e3o da migrante s\u00edriafoi list\u00e1-la com anteced\u00eancia para o pr\u00f3ximo mutir\u00e3o, que a princ\u00edpio dever\u00e1 ocorrer agora no m\u00eas de agosto, e avis\u00e1-la do in\u00edcio do processo de inscri\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n
Infelizmente, erros e problemas acontecem, mesmo que na sala 28 todos os dias n\u00f3s trabalhamos para resolv\u00ea-los. Esta experi\u00eancia foi importante, por mais decepcionante e frustrante que tenha sido, pois demonstra que nem sempre as coisas v\u00e3o de acordo com o planejado, e deve-se sempre buscar a melhor sa\u00edda, que atenda \u00e0s exig\u00eancias da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n
Tamb\u00e9m me mostrou o tamanho do desamparo que estes migrantes enfrentam em nosso sistema brasileiro, a profunda necessidade de conseguir o ref\u00fagio e o impacto sobre suas vidas. Caso ela n\u00e3o consiga fazer esta entrevista em agosto – algo que eu espero que n\u00e3o aconte\u00e7a – s\u00f3 posso imaginar as consequ\u00eancias disso para sua vida e perman\u00eancia em territ\u00f3rio brasileiro.<\/p>\n\n\n\n
Fico extremamente grata pelas respostas r\u00e1pidas tanto do respons\u00e1vel pelas inscri\u00e7\u00f5es quanto da Professora Tatyana para tentar descobrir o que poderia ter ocorrido de errado no processo da Luna, bem como para j\u00e1 abrir a lista dos interessados no pr\u00f3ximo mutir\u00e3o, a fim de que que ningu\u00e9m fique para tr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n
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